Relatório da instituição também mostra que o mercado de serviços em tecnologia da informação movimentou 4,1% no primeiro semestre do ano em relação a 2008. Entre as expectativas para 2010, a demanda explosiva por espaços em data centers proporcionará novas ofertas para o setor.
A IDC Brasil publicou um relatório executivo sobre o mercado de serviços de TI no Brasil relativo ao primeiro semestre de 2009. Apesar da crise econômica, os resultados foram positivos, com um crescimento de 4,1% no período em relação ao primeiro semestre de 2008, com destaque para os serviços de outsourcing – que cresceram 10%.
Com base nas informações e no cenário atual, a projeção da IDC é que o mercado de serviços profissionais de TI encerre o ano com um crescimento de 5,13% em comparação a 2008.
Reinaldo Roveri, gerente de pesquisas da IDC Brasil, comenta que com a crise, os ciclos de venda se alongaram significativamente e as decisões que antes eram tomadas por níveis gerenciais mais baixos subiram na escala hierárquica das empresas, mas o impacto foi relativo. “Realmente houve renegociações e cancelamentos de contratos, mas em proporções menores do que era esperado pela maioria dos executivos do mercado”, comenta o analista.
De acordo com o relatório da IDC, o destaque durante o primeiro semestre de 2009 foi o crescimento das vendas de serviços de outsourcing, especialmente de infraestrutura. Ainda que com margens menores, eles já respondem por mais de um terço das receitas totais do mercado de serviços. Isso significa crescimento superior a 10% em comparação ao primeiro semestre de 2008.
Por outro lado, os serviços mais afetados no período foram educação e treinamento, além de grandes projetos de integração de sistemas (exceto por virtualização e consolidação de servidores e storage) e consultoria em TI.
Em relação aos mercados verticais, se destacaram na demanda por serviços profissionais de TI foram comércio (em especial o varejo, beneficiado pelo consumo interno aquecido e pela redução de impostos), utilities (principalmente companhias de energia que buscam atualizar seus sistemas legados), saúde e empresas que atuam no ramo de Seguros.
Mesmo que tenham assumido posturas mais conservadoras, os setores de finanças, governo e telecomunicações mantiveram seus investimentos. Exceto raras exceções, as empresas de manufatura, mineração e siderurgia, especialmente as que tinham boa parte dos negócios apoiados na exportação, foram as mais afetadas pela crise e reduziram seus investimentos em TI durante o período.
Uma leitura dos dados levantados junto a grandes empresas mostra que a redução de custos de operação foi a prioridade dos CEOs brasileiros – e continuará sendo em 2010 -, mas isso está colocando em evidência a importância da implementação de sistemas que permitam aprimorar a visibilidade, o monitoramento e análise dos processos e resultados das companhias: ao ter que cortar custos sem afetar os negócios, a maior parte das empresas enfrentou dificuldades por falta de informações qualificadas.
Como principais tendências, a IDC identifica os serviços de outsourcing de TI e sistemas que permitam melhor controle dos negócios, como implementação e upgrade de sistemas avançados de gestão (ERP) e Business Intelligence, integração de sistemas e bases de dados e consultorias para a implementação de governança de TI. A explosão da demanda por espaço em datacenters possibilitará o surgimento e amadurecimento de novas ofertas de entrega de TI como serviço, por exemplo, de cloud computing.
Outros serviços em alta para 2010 serão relacionados à continuidade dos projetos de adequação a leis e normas regulatórias, consolidação e integração de infraestrutura de TI, com especial foco em virtualização, VoIP e atualização de call centers. O relatório também leva em conta que 2010 será ano de eleições, o que trará um certo nível de conservadorismo para os investidores e empresas que atuam no país e um redirecionamento de prioridades de investimentos do segmento governamental. Mas, prevê que com o cenário político definido, os investimentos em TI no Brasil deverão passar por um período de forte aceleração a partir de 2011.
O relatório faz parte do estudo IDC Brazil IT Services Tracker, realizado com base em metodologias de pesquisa usadas mundialmente pela companhia e informações levantadas junto a diversas fontes, entre elas executivos de mais de 80 das maiores empresas prestadoras de serviços de TI no país, que respondem por mais de 75% da receita total deste mercado.

