Apesar do crescimento, receita com serviços de dados continua abaixo da média do mercado global. Segundo a consultoria, ainda é difícil prever o futuro da banda larga móvel. "Tem havido poucas ativações de SIM cards para internet no celular. As próprias redes de transmissão das operadoras ainda funcionam como gargalos que dificultam a expansão da base de clientes", diz Alex Zago, analista sênior de telecom.
Uma análise divulgada nesta quinta-feira, 03/07, pela consultoria IDC, apontou que a receita bruta (Ebitda, na sigla em inglês) das operadoras de telefonia móvel no Brasil cresceu 28% no primeiro trimestre deste ano. O número é quase dez vezes maior do que o registrado em 2007 no Oeste Europeu, onde o aumento foi de apenas 3%. Depois de apresentar três quedas consecutivas (de 2004 a 2006), a região deve continuar nesse movimento decrescente até 2010, quando o acréscimo das receitas será de somente 1,3%.
"O crescimento brasileiro aconteceu principalmente devido à substituição dos telefones fixos pelos celulares e pelas políticas de inclusão digital", avalia o analista sênior de telecom da IDC Brasil, Alex Zago. "Apesar disso, a receita com serviços de dados continua baixa", ressalta. No mercado mundial, eles têm em média 9% do mercado, enquanto no Brasil a participação não passa de 4%. No que diz respeito à própria banda larga móvel, segundo Zago, ainda é difícil prever como será o futuro. "Tem havido poucas ativações de SIM cards para Internet no celular. As próprias redes de transmissão das operadoras ainda funcionam como gargalos que dificultam a expansão da base de clientes", destaca.
Além disso, o mercado brasileiro também está ficando mais competitivo. Em São Paulo, onde três operadoras possuem atuação, devem estrear outras duas ainda no segundo semestre deste ano. Além da tradicional guerra pelas tarifas mais baixas, para Zago elas terão de lidar com novas questões: a portabilidade numérica, que permite ao usuário trocar de operadora e manter o mesmo número, e a determinação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para limitar os contratos de fidelização a não mais do que um ano.
Competição
Segundo o analista, recursos como pacotes de dados ilimitados, Wi-Fi e VoIP reduzem a margem de lucro, uma vez que o usuário passa a usar cada vez mais a Internet para fazer ligações – sem que as empresas sejam remuneradas por isso. "Eles canibalizam os serviços das operadoras. O principal desafio delas é não só manter os gastos dos usuários, mas sim encontrar novas formas para fazer com que eles gastem mais", afirma o analista. Outro fator importante que ele cita é a pirataria: ainda é difícil convencer os clientes a pagar por um plano oferecendo altas velocidades de acesso quando os conteúdos ilegais podem ser facilmente encontrados e transferidos para o celular.
No que diz respeito a 3G, embora ainda não tenha números do cenário brasileiro, a IDC estima que o número de usuários seja pequeno. Para a consultoria, a tecnologia normalmente passa a ser mais disseminada quando caem os preços dos aparelhos, há apoio do governo e surgem novos players no mercado. O mercado brasileiro de serviços de telecom movimentou, em 2007, US$ 57 bilhões e deve crescer 6% ao ano até 2012, segundo estimativas da IDC.

