Internacional

Informe da GSMA revela que a indústria europeia de mobilidade está numa encruzilhada

Região é a única região a ver as receitas diminuírem – de 162 bilhões de euros em 2010 a 151 bilhões de euros em 2012.

 

Em antecipação à conferência GSMA Mobile 360-Europe realizada nesta quinta-feira, 05, em Bruxelas, a GSMA divulgou uma avaliação abrangente do impacto da indústria de mobilidade na Europa. O informe, denominado “Mobile Economy Europe 2013” e desenvolvido pela área de Inteligência da GSMA, revela que, em 2012, o ecossistema móvel gerou aproximadamente 2,1% de PIB para a União Europeia (UE) – inclusive contribuições a financiamento público, equivalentes a 53 bilhões de euros – e apoiaram a criação de 394.000 empregos diretos na região.

O estudo também aponta que, apesar de ter a maior taxa de penetração (79%) de assinantes especiais do mundo, a Europa é a única região a ver as receitas diminuírem – de 162 bilhões de euros em 2010(2) a 151 bilhões de euros em 2012 – e está atualmente ficando para trás quanto à implantação de tecnologias móveis de próxima geração e dos serviços avançados que essas tecnologias tornam possíveis. O informe termina falando das oportunidades que se abrem no mundo onde praticamente tudo e todos estarão conectados pela tecnologia móvel e do papel essencial de políticas e regulamentos realmente inteligentes para ajudar a Europa a maximizar o seu potencial.

“Há muito que a Europa é vista como pioneira na área de mobilidade, mas, como ilustra o informe, ela agora se encontra defasada em relação às outras regiões na instalação da banda larga móvel, particularmente em 4G/LTE”, disse Anne Bouverot, Diretora Geral da GSMA.  “Apesar disto, a indústria de mobilidade pode ter um papel essencial na recuperação econômica europeia, se bem que isto exigirá uma política que encoraje o investimento em conectividade de banda larga móvel, que permita a inovação e ajude a fortalecer a confiança dos consumidores nos serviços móveis. Isto deveria constituir o âmago das propostas planejadas pela Comissão em cada mercado distinto de telecomunicações.”

A Europa está atrasada em adoção de tecnologias móveis de próxima geração

O informe divulgado hoje constata que a Europa ficou defasada em relação a muitas outras partes do mundo na implementação da tecnologia LTE (Long Term Evolution).  Ao final de 2012, a LTE era responsável por apenas 0,3% do total de aparelhos na Europa, comparado a 11% nos EUA e 28% na Coréia do Sul. Isto confirma as pesquisas divulgadas pela GSMA e Navigant Economics mais ao início deste ano (3), que demonstraram que o crescimento em investimento nos EUA está se traduzindo em conexões mais rápidas de dados, onde as velocidades nos EUA estão agora 75% mais rápidas do que a média na UE, sendo que a previsão é que esta defasagem deverá aumentar.

Criação de uma Europa conectada – Ajudando a cumprir a estratégia de crescimento até 2020 da UE

Apesar dos desafios atuais, “Connected Living” (ou Vida Conectada) apresenta uma tremenda oportunidade para expandir o alcance da tecnologia móvel em vários setores industriais verticais e essenciais. O número de aparelhos conectados com tecnologia sem fio na Europa deverá atingir quase 6 bilhões em 2020(4), cerca de um quarto do total global. O mercado total abordável na Europa para o conceito Connected Living pode chegar a 234 bilhões(5) até 2020, oferecendo um potencial de reforço do PIB europeu superior a 6%. A adoção da tecnologia móvel em setores industriais tais como a indústria automobilística, comércio, educação, saúde, governo e serviços públicos, entre outros, criar&a acute; oportunidades para novos modelos de negócios e fluxos de receitas que, por sua vez, apoiarão o crescimento, a geração de empregos, a inovação e a sustentabilidade.

O informe também delineia várias áreas essenciais onde as políticas e a regulamentação da UE podem ajudar a retomar a liderança tecnológica ao encorajar o investimento, reduzir barreiras à consolidação, habilitar a inovação e reforçar a confiança dos consumidores.

Estímulo ao investimento através da harmonização do espectro

Uma abordagem pan-europeia mais coordenada quanto à liberação e harmonização do espectro pode ajudar a reforçar mais investimentos na conectividade de banda larga. A UE já revelou que um total de 1.200 MHz de espectro deveria ser alocado até 2015 para atender ao crescimento esperado no tráfego de dados, porém somente uma média de 600 MHz já foram liberados e, além do mais, há demoras na alocação de espectro Digital Dividend na banda de 800 MHz. Se estas questões forem abordadas, estima-se que até 119 bilhões de euros de PIB incremental poderão ser gerados ao longo do período até 2020, produzindo 23 bilhões de euros de receitas fiscais adicionais e criando até 156.000 novos empregos em toda a região.

Reduzindo barreiras à consolidação do mercado

Numa Europa onde existem mais de 100 operadoras de telefonia móvel, bem como quase 530 MVNOs(6), a consolidação tornou-se uma questão crescente da indústria, já que as operadoras enfrentam políticas incongruentes de espectro, pressões competitivas contínuas, e uma crescente redução de receitas e erosão das margens. A Comissão Europeia pode ajudar a reduzir as barreiras a uma eficiente consolidação do mercado, através da simplificação das análises de fusões e ao adotar uma abordagem mais prudente à imposição de recursos.

Habilitando a inovação em conteúdo e serviços

As operadoras de serviços móveis estão trabalhando para expandir continuamente seus portfólios com novos produtos e serviços que vão mais além das propostas básicas tradicionais de voz, SMS e dados. O citado informe constata que, para que as operadoras continuem a desenvolver novos serviços, elas precisam estar livres para criar modelos de negócios e preços que estejam mais alinhados com os serviços que os consumidores não só desejam, mas pelos quais estejam dispostos a pagar. Uma estrutura regulatória que propicie isto será um elemento essencial para impulsionar a inovação.

Reforçando a confiança do consumidor no uso de serviços e aplicativos móveis

Agora que os dispositivos móveis se tornaram definitivamente integrados e essenciais às atividades diária dos consumidores, a indústria deve continuar a tratar de forma ativa dos problemas de fraude e spam e das preocupações com a privacidade. Os consumidores buscam informações sérias e úteis e regras coerentes que se aplicam a serviços funcionalmente equivalentes. Os órgãos reguladores não devem aplicar regras prescritivas à informação fornecida aos consumidores, mas concentrar-se em garantir a transparência através de toda a cadeia de valor da Internet.

“Evidentemente, o foco deve estar centrado no estímulo do investimento para obter crescimento econômico a longo prazo”, continuou Bouverot. “O movimento em direção à “Connected Life”, onde tudo e todos estão conectados, apresenta uma importante oportunidade para a Europa retomar sua posição de liderança. Coletivamente, temos que criar um ambiente que atraia e fomente o investimento na indústria de mobilidade. A iniciativa de um único mercado de telecomunicações apresenta uma grande oportunidade para promover isto e é essencial que acertemos ao fazê-lo.”

Para acessar o informe, visite: www.gsma.com/mobileeconomyeurope

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