“Não há nada de muito novo na tecnologia da Indústria 4.0.” Foi com essa frase que José Borges Frias, líder de Estratégia e Negócios da Siemens, começou sua fala durante painel “Transformação Digital na Indústria”, realizado no Futurecom 2018. De acordo com ele, a Indústria 4.0 surgiu da necessidade de aumento de produtividade e, na verdade, tem se aproveitado da integração das tecnologias para que esse objetivo seja alcançado. “As indústrias já contam com sensorização para ter controle, agora elas querem mais”, diz ele.
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E não é somente elas que querem mais. A globalização e o acesso à informação empoderaram o consumidor que agora pressiona as empresas no “time to market” (tempo de lançamento de um produto desde sua concepção). Além disso, surge agora a customização de massa, para trazer experiências únicas para o cliente. “Soma-se a isso tudo a necessidade de uso eficiente de recursos para diminuir custos.”
A pressão atinge também o setor do agronegócio, que já virou uma indústria própria. De acordo com Pedro Estevão Bastos de Oliveria, diretor de Relações Institucionais da Jacto Agrícola, o Brasil vai ter que dobrar a exportação de alimentos em dez anos para suprir a demanda mundial, segundo dados da FAL (ONU). “A tecnologia vai ser a estratégia para aumentar a produtividade”, diz.
Um exemplo prático são as máquinas agrícolas. Ele explica que um equipamento com alta tecnologia desperdiça 0,9% (10 mil R$) do fertilizante utilizado nas lavouras, enquanto o produtor que não tem uma máquina como essa perde 18% do produto. No fim do dia, o desperdício financeiro para o primeiro foi de R$ 10 mil e para o segundo de R$ 180 mil. “Isso porque há um controle da operação via telemetria, com alertas para mostrar usos indevidos, como na pulverização de fertilizante (se temperatura e umidade estão corretas).”
O problema, ainda segundo ele, é que a tecnologia está no grande e médio produtor. “A indústria não conseguiu ainda gerar um custo que compense para o pequeno produtor”, afirma. A conectividade no campo e a capacitação também são desafios. “Mudança foi muito radical e rápida, operadores e agricultores precisam se atualizar”, finaliza.

