Análise Setorial

Inteligência 2.0: as redes e a evolução da IC

Fernando Domingues Jr, da FIA

Fernando Domingues Jr, da FIA

Com a complexidade do ambiente atual, a avalanche de informações e a velocidade exigida pelo mercado, o nível de incerteza para a tomada de decisão cresce cada vez mais. Para onde, então, caminha a Inteligência?

Hoje, até que ponto as práticas atuais de Inteligência atendem as necessidades das empresas? O que pode ser diferente? Para propor uma visão evolutiva na forma de fazer Inteligência que permita decisões mais rápidas, fundamental em um mercado cada vez mais complexo, Fernando Domingues Jr., sócio-diretor da Mentor Consulting e professor do curso de MBA Monitoramento Competitivo e Estratégico da FIA, apresentou o painel ‘Inteligência 2.0’ durante a 11° Conferência Anual de Inteligência Competitiva, organizada pela IBC.

Domingues Jr. explicou que, ao mesmo tempo em que a complexidade do ambiente em que estamos inseridos é maior, cada vez temos mais informações, estamos sobrecarregados. “E com isso, é óbvio que o nível de incerteza para a tomada de decisão cresce”, diz. Isto porque, por outro lado, o tempo para o profissional interpretar os dados e decidir é menor. Resolver esta equação é então o grande desafio.

“As práticas de Inteligência crescem porque as empresas querem justamente que nós demos conta desse GAP. A velocidade na captação, interpretação e ação hoje é a grande estratégia”, afirma o especialista.

Para o executivo, grande parte das empresas quebram por não conseguirem se alinhar às mudanças do ambiente, e até mesmo por aquilo que gerou sucesso a elas, já que o sucesso, muitas vezes, cristaliza cultura e deixa pontos cegos.

Neste cenário, se diferencia no mercado quem consegue de fato descobrir o próximo movimento de seu concorrente, e se você entende e descobre os padrões do seu concorrente, consegue antecipar reações e movimentos. “Então, hoje o importante não é Planejamento Estratégico, mas sim Gerenciamento Estratégico. É uma questão de saber reagir, se adaptar ao ambiente”, diz Domingues Jr.

Redes de Inteligência
Hoje, um dos grandes desafios das áreas de Inteligência é justamente envolver o tomador de decisão em suas estratégias. Hierarquia é obstrução do ciclo de inteligência. “Se eu tenho que passar por dois níveis para chegar ao meu tomador de decisão, como eu vou ter velocidade em minhas ações? Este modelo não tem futuro”, defende o executivo.

E as redes, para o especialista, são as alternativas para as áreas de Inteligência, com muitas vantagens. Mas, para elas funcionarem o seu grau de distribuição faz toda a diferença – não adianta você centralizar as informações da rede em uma pessoa, porque se tirar essa figura central, acaba a rede.

“Além disso, imagina se eu fizer uma análise ou interpretação não só com uma pessoa, que tem vieses, vícios, mas por muitas. Se eu consigo unir várias pessoas com conhecimento multidisciplinares, experiência, a minha interpretação terá muito mais assertividade”, declara Domingues Jr.

No entanto, o especialista adverte que a rede só funciona se cada indivíduo puder se beneficiar com ela também, não só a área de Inteligência, e que a crença de que as pessoas não se mobilizam por nada é mentira. “O Wikipedia, o Linux, o YouTube estão aí para provar”, afirma.

Entre outras vantagens, Domingues Jr. diz que a Inteligência 2.0 permite que a empresa perceba e reaja mais rapidamente às mudanças do ambiente, muda o paradigma da organização, potencializa a Inteligência Coletiva e integra todos na empresa. “O profissional de IC deve ser um netweaver; construir redes é criar conexões, viabilizar fluxos”, finaliza.

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