Como levar as pessoas à participação e evolução da Inteligência Coletiva e direcioná-las aos objetivos de negócio? É sobre o que fala Fernando C. de Almeida, coordenador do MBA Inteligência Estratégica da Fipe.
Segundo Pierre Levy, "inteligência coletiva é uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em uma mobilização efetiva de competências". Inteligência coletiva é portanto conhecimento acionável. É um misto de conhecimento tácito, comunicação entre indivíduos, resulta em ações ("mobilização efetiva de competências"), que é o que interessa às empresas. Interessa a elas o assunto do ponto de vista de aproveitamento do conhecimento e da inteligência coletiva para obtenção de resultados efetivos para o negócio. Mas como fazer com que se tenha um acesso eficaz à Inteligência Coletiva em um empresa? Segundo Levy, a Internet ou a tecnologia de informação ainda estão longe do que potencialmente podem fazer para evoluir a Inteligência Coletiva.
Inteligência Coletiva e Inteligência Competitiva, andam juntas do ponto de vista da empresa. Do Conhecimento à Inteligência Coletiva, à Inteligência Competitiva à tomada de decisão e à ação. Inteligência Coletiva, tal como o Conhecimento é algo que existe naturalmente nas empresas. Constrói-se a partir da comunicação e troca entre os integrantes da organização. Hoje existem novas tecnologias que podem contribuir com o enriquecimento e aplicação eficaz desta Inteligência Coletiva no negócio.
Certas tecnologias como ferramentas wiki entre outras (ferramentas wiki permitem que indivíduos colaborem na evolução compartilhada de um texto, um esquema, enfim, de uma idéia em elaboração. Como na Wikipédia), são meios para trocar conhecimento e enriquecer a Inteligência Coletiva e os resultados que gera. Tive uma pequena experiência, quando usei com os participantes de um curso de Doutorado na FEA – Administração da Informação e Inteligência da Empresa – em sua quarta versão. Os alunos deveriam produzir artigos acadêmicos sobre determinado assunto ligado ao curso. Solicitei que a elaboração dos artigos fosse feita usando-se uma ferramenta wiki. O acesso seria restrito aos participantes do curso. Todos poderiam ver on-line a evolução dos trabalhos dos diferentes grupos, fazer sugestões e aprender uns com os outros. Resultado: Dentre os aproximadamente 10 artigos gerados, dois ganharam premio em congresso do SEMEAD (congresso de Administração organizado pela FEA/USP) e foram publicados em revistas. Esse desempenho foi significativamente superior às experiências nas três turmas anteriores. Minha hipótese é de que o compartilhamento do conhecimento gerou um processo que enriqueceu o conhecimento e a inteligência coletiva e portanto melhores resultados.
Sucesso absoluto? Não. Busquei fazer a mesma experiência com alunos de MBA. Resultado: Os alunos não se dispuseram a compartilhar seu conhecimento, seus trabalhos. Mais competitivos, longe dos objetivos mais acadêmicos de compartilhamento do conhecimento, do que no caso dos alunos de doutorado? Possível. Indica mais uma vez que a tecnologia de informação pode estar disponível, mas o uso dela de maneira eficaz, depende de outros aspectos que vão além da ferramenta.
As ferramentas existem hoje. Wiki, Twiter, Ning, Blog, web 2.0. O envolvimento das pessoas continuam sendo o fator delicado para o sucesso de um processo organizacional. Se essas ferramentas permitem potencialmente fazer evoluir a Inteligência Coletiva em uma empresa, como efetivamente levar as pessoas à participação e evolução da Inteligência Coletiva e direcioná-la efetivamente aos objetivos de negócio? Listo o que chamo de cinco fatores críticos de sucesso da evolução a Inteligência Coletiva em uma empresa. São a meu ver, também os FCS de um processo de Inteligência Competitiva: 1. Habilidade e vontade de compartilhar informação; 2. Abertura das pessoas para o ambiente competitivo; 3. Mente aberta (questionar regras e paradigmas); 4.Participação dos executivos e da alta administração nos processos ligados a Inteligência; 5. Estrutura e criatividade no processo de Inteligência Competitiva. E minha experiência tem me confirmado que se um dos fatores falha, tem conseqüência não só para a evolução da Inteligência Coletiva, mas também na vida do processo de Inteligência Competitiva. O processo falha. São todos os cinco, fatores críticos. Pretendo explorar cada um deles em próximas ocasiões.
*Fernando C. de Almeida é fundador da ADVS Brasil – Association Developpement Veille Stratégique – e coordenador MBA Inteligência Estratégica da Fipe

