O avanço das comunicações unificadas no Brasil chegou a tal ponto que o oferecimento de tecnologia para suportá-la também já deve ser de acordo com a demanda de dados, não dando mais espaço para os pacotes pré-estabelecidos, até mesmo os de infraestrutura externa.
A operadora de telefonia “n” não sabe qual é o volume de dados que precisará trafegar em determinada região onde atua e não tem rede própria. Por isso, ela compra um pacote de alguns Gpbs (Gigabytes por segundo) da operadora “y” e o usa conforme a sua demanda. É como um celular pré-pago. Essa modalidade de oferta entre operadoras não é novidade. Porém, ela agora está sendo praticada entre operadoras e o mercado corporativo. Sim, sua empresa compra um pacote de alguns GB e utiliza-o de acordo com a demanda.
Nesta modalidade, é negociado o direito de uso de uma determinada capacidade ou infraestrutura por um período de tempo, sendo o pagamento realizado à vista e calculado a partir do valor atual do serviço. “Por exemplo, o cliente contrata o direito de utilizar um tráfego de 10 Gbps por 10 anos. Por ser aplicado o cálculo de valor atual, o preço equivalente por Gbps torna-se bastante atrativo, com a desvantagem de o valor total do contrato ter que ser pago integralmente no ato da contratação”, informa Pablo Yañez, diretor de dados e produtos de internet da Global Crossing, companhia que comercializa este serviço.
A companhia que oferta o link pré-pago, até o fechamento desta edição, não informou o valor por GB empacotado (os pacotes são vendidos em gigabytes), mas contou com exclusividade ao IP News que está começando agora a comercializar a modalidade e que já tem clientes nacionais em carteira.
Este tipo de venda de canais de dados, de acordo com a empresa, foi criado para atender à demanda de corporações com grande volume de tráfego de informações em suas redes de TIC (TI e Comunicação) em picos variáveis, caso das operadoras de e-commerce (segundo a Global Crossing, o maior deles atuante no Brasil é seu cliente). Afinal, em períodos como o Natal ou Dia das Mães, ela precisa trafegar um volume de dados provenientes das compras realizadas pela internet muito maiores do que em outras épocas do ano.
Demanda por Comunicação Unificada
Apesar de ainda tímida, pois a própria Global Crossing não nos informou quais clientes já utilizam a tecnologia, alegando acordo de confidencialidade – este serviço atesta a crescente exigência das empresas por ofertas de TIC sob demanda. Esta é uma alternativa para que as corporações utilizem mais recursos das chamadas comunicações unificadas – como redes sociais corporativas, aplicativos de compartilhamento de documentos pela internet, teleconferência, etc. – sem o comprometimento com pacotes de serviços caros e de longo prazo. “A demanda por infraestrutura e serviços completos de comunicação unificada, e sob demanda, tem crescido consideravelmente. Prova disso é que hoje, praticamente todas as nossas soluções são comercializadas com a opção on-demand”, conclui Yañes.

