Estratégias

Investimento não garante sucesso de campanha

Luiz Pegorin, da Ipsos ASI

Luiz Pegorin, da Ipsos ASI

Segundo Luiz Pegorin, Managing Director da Ipsos ASI, uma abordagem focada em resultados, além da avaliação criativa, deve levar em conta o alcance, o brand linkage e a resposta.

Nem sempre o investimento financeiro feito em uma campanha publicitária corresponde a resultados mais eficazes. Essa é a análise feita por Luiz Pegorin, Managing Director da Ipsos ASI, empresa global especializada na avaliação de comunicação e tracking de saúde de marcas, na palestra “Avaliação da eficácia de campanha”, apresentada durante o CINCOM 2008 (Congresso Internacional de Comunicação com o Mercado).

Pegorin explica que uma abordagem focada em resultados, além da avaliação criativa, deve levar em conta o alcance – medidas que garantam visibilidade, a força da campanha; o brand linkage, a associação entre campanha e marca, já que metade das campanhas não são associadas às marcas pelos consumidores; e a resposta, ou seja, a percepção de equity. “É preciso pensar na eficiência do alcance: quais iniciativas chegam até meu target?”, diz Pegorin.

Ele conta que ainda não existe algum meio, mesmo com o crescimento da internet, que tenha tanto alcance quanto à televisão. “Outros meios crescem, mas quando temos bastante investimento o meio televisivo ainda é o mais forte”, lembra Pegorin.

Mas, é importante lembrar que anunciar em televisão não basta para alcançar resultados. Uma pesquisa realizada pela Ipsos ASI identificou que 34% dos telespectadores assistem aos comerciais, enquanto 23% alternam os canais na hora do intervalo. Além disso, grande parte dos entrevistados assistem televisão enquanto realizam outras atividades, o que resulta em pouca atenção ao intervalo comercial.

“As pessoas não odeiam comerciais, mas odeiam irrelevância. É preciso apresentar algo que elas precisam ou querem assistir”, afirma Pegorin, ressaltando que neste meio “não se trata apenas de como se planeja a propaganda, mas sim o tanto de atenção que conseguimos atrair”, diz.

Assim, é importante lembrar que o nível de audiência não corresponde ao nível de atenção; a empresa pode até anunciar em horário nobre, mas isso não significa que os telespectadores prestarão atenção no comercial. Já o nível de entretenimento tem correlação positiva com a atenção aos comerciais. “Divertir-se com o que passa na TV, quando falamos de um programa bem quisto ou favorito do consumidor, traz mais ganhos de atenção tanto para o programa quanto para o intervalo”, defende Pegorin.

Outro ponto apontado pelo especialista é que o Share of Voice (SOV) pode não ser tão importante em uma campanha. “SOV não se relaciona bem com alcance. Não é linear a quantidade de dinheiro que você gasta com o nível de recordação da campanha”, afirma.

O que vale, muitas vezes, é fazer uma campanha diferenciada, que conquiste o consumidor. Por exemplo, explica Pegorin, uma propaganda de furadeira pode apenas mostrar as características e potenciais do produto. Mas, pode ter um alcance muito maior se o comercial mostrar um desejo, uma emoção aliada ao desembolso vantajoso decorrente desta escolha.

“É preciso lembrar que o objetivo de uma boa campanha não é apenas vender. Deve se levar em conta o conceito de construção de marca”, afirma Pegorin, lembrando que a interatividade e a familiaridade com a marca também traz resultados positivos.

Pegorin ressalta ainda que para a construção de uma marca, além do investimento em mídias pagas, também é importante investir em performance e aparência da embalagem, assistência técnica, ponto de venda, distribuição, entre outros. “A mídia espontânea é muito importante para uma marca. O boca a boca, aliás, muitas vezes é mais forte do que as mídias pagas”, finaliza.

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