Economia Digital

IoT industrial avança e abre nova frente de negócios no Brasil

A digitalização da indústria global entra em uma nova fase de escala e cria oportunidades diretas para provedores de serviços, operadoras e integradores que atuam no Brasil. Estudo da Fortune Business Insights projeta que o mercado de Internet das Coisas (IoT) aplicado à manufatura deve saltar de US$ 172,6 bilhões em 2026 para mais de US$ 1,1 trilhão até 2034, com crescimento médio anual de 26,2%. O avanço é impulsionado pela necessidade crescente de automação, uso intensivo de dados em tempo real e integração entre máquinas, sistemas e cadeias produtivas, consolidando a chamada Indústria 4.0.

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Para o ecossistema brasileiro, a principal leitura do estudo é que a captura de valor nesse mercado não estará concentrada apenas nos dispositivos, mas principalmente na camada de serviços e infraestrutura digital. A expectativa é que os serviços, incluindo implementação, integração e gestão de ambientes IoT, concentrem a maior parte dos investimentos já nos próximos anos, reposicionando o papel dos provedores, que passam a atuar de forma mais próxima das operações industriais. Esse movimento amplia o espaço para ISPs evoluírem além da conectividade tradicional e avancem em ofertas de serviços gerenciados, cloud, segurança e suporte à digitalização de plantas industriais.

A conectividade, por sua vez, assume papel central nessa transformação. À medida que cresce o número de dispositivos conectados em ambientes produtivos, aumenta a demanda por redes resilientes, de alta capacidade e baixa latência, capazes de sustentar operações críticas. O estudo destaca o avanço das plataformas de gestão de redes como resposta à necessidade de comunicação contínua entre equipamentos e sistemas, o que reforça a relevância de infraestruturas robustas. No Brasil, esse cenário abre espaço para expansão de fibra em polos industriais, implementação de redes privadas e integração entre ambientes de tecnologia operacional e tecnologia da informação.

Outro vetor importante é a consolidação da manutenção preditiva como principal caso de uso da IoT industrial. A capacidade de monitorar equipamentos em tempo real e antecipar falhas reduz custos operacionais e aumenta a eficiência, mas depende diretamente de uma cadeia tecnológica que envolve sensores, transmissão contínua de dados e plataformas analíticas. Esse tipo de aplicação intensifica a demanda por conectividade confiável e por soluções de processamento distribuído, criando novas oportunidades para provedores que consigam integrar rede, cloud e análise de dados.

O avanço de tecnologias como digital twins, inteligência artificial e edge computing reforça ainda mais essa dinâmica ao exigir ambientes com baixa latência e alta disponibilidade. Essas aplicações ampliam a necessidade de infraestrutura digital mais próxima das operações, o que favorece modelos descentralizados e fortalece o papel de provedores regionais. Ao mesmo tempo, pressiona o mercado por investimentos em data centers, redes de alta capacidade e plataformas capazes de suportar processamento em tempo real.

Embora a América do Sul ainda represente uma parcela menor do mercado global, o crescimento previsto indica um ambiente de expansão, liderado por países como Brasil e Argentina. As limitações de infraestrutura e a necessidade de investimentos ainda são desafios relevantes, mas também criam uma janela para atuação dos provedores locais como viabilizadores da transformação digital da indústria.

Na prática, o avanço da IoT na manufatura redefine o posicionamento dos provedores de serviços no país. A conectividade deixa de ser uma oferta isolada e passa a integrar soluções mais amplas, alinhadas às necessidades de digitalização das empresas. Para ISPs e players de telecom, o movimento sinaliza uma mudança estrutural: a oportunidade está em capturar valor ao longo de toda a cadeia, conectando infraestrutura, serviços e inteligência de dados em um mercado que caminha rapidamente para a casa do trilhão de dólares.

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