Os resultados dos testes de 4G e 5G Open RAN feitos pela Telefonia e pela NEC na Alemanha, Espanha Brasil e no Reino Unido estão aquecendo o projeto e a disposição da NEC de recuperar posição de destaque no mercado brasileiro de infraestrutura de telecomunicações. Isto porque a soma do padrão Open Ran com a iminência do 5G no País abre caminho para a empresa ofertar uma plataforma virtualizada de conectividade, atendendo além de operadoras e provedores de serviços de telecomunicações, o mercado corporativo, que deve consumir soluções de internet das coisas (IoT) em grande escala.

Roberto Murakami, diretor da NEC Brasil
As redes Open RAN ou redes de acesso de rádio abertas dão maior versatilidade aos sistemas de conectividade, porque, com a capacidade de interoperabilidade, permite a adoção de soluções de diferentes fabricantes. “A virtualização é a tecnologia básica do Open Ran”, diz Roberto Murakami, diretor da NEC Brasil, ao explicar que o padrão reduz custos e complexidade ao prever o uso de servidores convencionais.
Segundo ele, a principal vantagem da virtualização de sistemas na área de infraestrutura de telecomunicações está no ganho de agilidade para lançamento de novos serviços. “Hoje, um provedor de serviços leva de quatro a seis meses para ter uma solução pronta e lançar no mercado”, destaca. “No futuro, a ideia é que tudo isto seja mais automatizado”, acrescenta.
No Brasil
O ecossistema montado pela NEC Corporation já conta com parceiros como a Altiostar, GigaTera Communications e Supermicro, entre outros. Mas são as alianças locais que devem dar corpo às soluções e imprimir velocidade de implementação, segundo Murakami.
“Estamos fazendo vários testes de Open Ran em redes 4G com operadoras no mundo e também no Brasil”, afirma o diretor da NEC. A estratégia da fabricante é fornecer as unidades de rádio e fomentar o ecossistema para desenvolver soluções e entregar um pacote completo ao mercado.
Nos testes feitos na rede da O2 (Telefonica UK), a fabricante ajudou a definir uma arquitetura Open RAN customizada, otimizada e adaptada aos requisitos da rede móvel da provedora localizada na Inglaterra. Devido ao seu papel como orquestradora de sistemas neste projeto, a multinacional japonesa coordenou o design geral do sistema, fornecendo uma solução de ponta a ponta, juntamente com os parceiros.
Ao longo dos testes, a NEC também executou a verificação de interoperabilidade, tendo como destaque seu centro de excelência tecnológica em Open RAN recentemente estabelecido no Reino Unido, que é onde os ensaios com a O2 foram conduzidos.
Aqui no Brasil, a iminência do leilão 5G está acelerando os projetos da NEC de voltar ao mercado de infraestrutura de telecomunicações. A empresa teve uma atuação relevante no país até a chegada do 3G com a tecnologia CDMA. Saiu do mercado de acesso quando o País optou por mudar para TDMA e voltar para GSM. O CDMA evoluiu e a integração com GSM passou a ser um problema para a fabricante japonesa.
“Agora vamos voltar fortes”, avisa Murakami. A empresa está finalizando a instalação de um laboratório em São Paulo, que também servirá de showroom para as soluções dos parceiros – integradores, startups, associações empresariais e outros fabricantes. “O 5G vai potencializar os projetos de internet das coisas. Boa parte dos nossos esforços estarão em oferecer conectividade para verticais, como o agronegócio, que vai precisar de boa cobertura para os seus dispositivos conectados”, aposta o executivo.
O fundamento do projeto da NEC é a mudança que o 5G provocará nos modelos de negócios no setor de telecomunicações. Segundo Murakami, atualmente as operadoras focam as suas estratégias na comunicação pessoal. “Acredito que com o 4G+ e o 5G surgirá um mercado que hoje não tem cobertura, mas que precisa de conectividade, caso do agronegócio. Este é o tipo de negócio que vai alavancar soluções e que vai demandar os testes no nosso laboratório”, afirma o executivo.
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