A digitalização do agronegócio global ganha escala e passa a exigir uma nova camada de infraestrutura digital, abrindo espaço direto para provedores de serviços, ISPs e operadoras no Brasil. De acordo com estudo da Allied Market Research, o mercado de Internet das Coisas (IoT) aplicado à agricultura deve atingir US$ 84,5 bilhões até 2031, ante US$ 27,1 bilhões em 2021, com crescimento médio anual de 12,6%.
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O avanço é sustentado por uma combinação de fatores estruturais, como o aumento da demanda global por alimentos, a necessidade de maior produtividade com recursos limitados e a adoção crescente de tecnologias digitais no campo. Nesse contexto, a agricultura de precisão, o uso de sensores conectados e a integração com plataformas em nuvem passam a redefinir a operação agrícola, aproximando o setor de uma lógica cada vez mais orientada por dados.
Para o mercado brasileiro, um dos principais produtores agrícolas do mundo, o movimento reforça a transformação do campo em um ambiente intensivo em tecnologia — e dependente de conectividade. A expansão do IoT no agro exige redes capazes de suportar monitoramento contínuo de solo, clima, máquinas e rebanhos, além da transmissão de dados em tempo real para plataformas analíticas. Isso amplia a demanda por infraestrutura de telecomunicações em áreas rurais, historicamente menos atendidas, criando uma janela relevante para provedores regionais.
O estudo aponta que a adoção de serviços baseados em nuvem e a necessidade de análise de dados em tempo real estão entre os principais vetores de crescimento. Na prática, isso desloca o valor do hardware para o software e para os serviços, abrindo espaço para ofertas que combinam conectividade, gestão de dados e inteligência aplicada. Esse cenário favorece a atuação de integradores e provedores que consigam entregar soluções completas, indo além do acesso à rede.
Entre as aplicações, a agricultura de precisão concentra a maior fatia do mercado, impulsionada pela capacidade de otimizar o uso de insumos e aumentar a produtividade. Ao mesmo tempo, segmentos como estufas inteligentes, monitoramento de rebanhos e aquicultura avançam em ritmo acelerado, ampliando o escopo de uso do IoT no campo. Todas essas aplicações têm em comum a dependência de conectividade confiável e de plataformas digitais capazes de processar grandes volumes de dados.
Outro ponto relevante é a ampliação do uso de dispositivos móveis no campo, com agricultores cada vez mais conectados por smartphones e redes sem fio. Esse movimento, aliado ao aumento da penetração de internet em áreas rurais, acelera a adoção de tecnologias digitais e cria novas demandas por cobertura e qualidade de serviço.
Regionalmente, a América Latina aparece como um dos principais vetores de crescimento, com destaque para o Brasil, onde o agronegócio já opera em larga escala e tende a incorporar rapidamente soluções de agricultura conectada. A modernização do setor, combinada à pressão por eficiência e sustentabilidade, reforça o papel da tecnologia como elemento central da competitividade.
Na prática, o avanço do IoT na agricultura reposiciona o papel dos provedores de serviços no país. A conectividade rural deixa de ser apenas um desafio de inclusão e passa a ser uma oportunidade de negócio, diretamente ligada à produtividade de um dos setores mais relevantes da economia brasileira. Para ISPs e operadoras, o movimento aponta para uma agenda clara: capturar valor na digitalização do campo, integrando redes, plataformas e serviços em um mercado que segue em expansão consistente.
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