Evento fomentou debate sobre problemas estruturais e possibilidades de negócios nas atuais redes IP.
Como lidar com os desafios estruturais demandados por um mundo cada vez mais conectado? Responder a esta pergunta foi o objetivo do IPMeeting Campinas 2011, realizado na quarta-feira (13) pelo Portal IPNews. O evento, no interior de São Paulo, reuniu especialistas para discutir as implicações e possibilidades que um mundo totalmente conectado impõe aos profissionais de redes e usuários. O evento pôde ser acompanhado em tempo real pelo perfil no Twitter do Portal IPNews.
A primeira palestra, feita por Sydney Longo, gerente de marketing de produtos do CPqD, discutiu “Os desafios da convergência em um mundo totalmente IP”. Longo apresentou um panorama atual e futuro do tráfego de redes, distribuído em múltiplos dispositivos e plataformas.
Para ele, o aumento no tráfego, elevado principalmente pelo uso de vídeos, redes sociais e serviços, gera grandes possibilidades de negócios. Mas há alguns desafios tecnológicos que devem ser superados: a multiplicidade de dispositivos, em redes híbridas, com ou sem fio, em diferentes sistemas operacionais e browsers. Há ainda a demanda por serviços cada vez mais rápidos por parte dos usuários e, por consequência, as questões de segurança são cada vez mais requeridas.
Em seguida, o gerente regional de vendas da Riverbed, Daniel Sant’Anna, falou sobre as dificuldades enfrentadas atualmente por gestores de redes e quais os improvisos mais comuns no enfrentamento de problemas de latência. Sant’Anna mostrou as soluções da Riverbed para otimização de rede e aceleração de aplicações, e como elas podem impactar os negócios e a produtividade de uma empresa.
O gerente de produtos da Voitel Conference, Julio Vulherme, explicou o ecossistema de soluções colaborativas oferecido pela empresa. Para Vulherme, soluções colaborativas são uma “forma de unir pessoas geograficamente dispersas em salas virtuais para trabalhar como se estivessem no mesmo local.”
Para atender a essa demanda, o gerente demonstrou o portifólio de serviços da Voitel, que inclui serviços de áudio conferência, streaming de vídeo, web conference (baseado no Microsoft Lync), vídeo conferência, colaboração de equipes e redes sociais corporativas.
Edgar Amorin, diretor de tecnologia da WDC, falou em seguida sobre soluções de valor agregado de imagem no protocolo SIP e as atuais utilizações da tecnologia na infraestrura de convergência entre dispositivos. “Com a convergência tudo está passando a falar IP, efetivamente”, disse Amorin, que demonstrou as utilizações que a WDC tem feito do protocolo SIP para convergir acesso a internet, vídeo vigilância, telefonia IP, serviço de e-mail, web conferência e outros serviços.
Amorin destacou a multiplicidade de usos do protocolo SIP e o barateamento da tecnologia, hoje acessível a PMEs e usuários domésticos. “Um terminal de telefonia IP dos mais baratos costumava custar US$ 600 dólares. Hoje, o mais simples custa R$ 250 reais.”
Alessandra Rossi, da Microsoft, demonstrou em seguida o Microsoft Lync Server 2011, ferramenta de comunicação unificada (UC) da empresa norte-americana, lançado em novembro do ano passado e agora disponível no Brasil, em substituição ao Microsoft OSC. A gestora de vendas da Microsofti destacou que é possível substituir um PABX tradicional pelo Lync, mas ressaltou que as duas soluções também podem trabalhar em conjunto, de forma integrada. “Não queremos que um grande investimento em sistemas PBX seja simplesmente jogado fora”, disse.
A equipe da Microsoft fez uma demonstração dos recursos do Lync para os presentes. Para Alessandra, o maior diferencial do produto é sua centralização nas pessoas, que são identificadas na interface por meio de fotos. “O Lync conecta pessoas, não dispositivos”.
Responsável pelo início das operações da GVT no interior de São Paulo, Jeferson Benjamim fez a última palestra do dia. O executivo promoveu uma reflexão a respeito do valor de uma rede. Segundo ele, “o responsável pela área de TI deve saber quanto vale essa infraestrutura. Em um ambiente com novas aplicações de negócios cada vez mais baseados em rede, questões como custo, qualidade e eficiência se impõem.”
Debate
Encerrando o evento, houve um debate entre os palestrantes e participantes do IPMeeting Campinas 2011. As discussões se polarizaram entre a infraestrutura nacional para a TV Digital e a qualidade dos links oferecidos pelas operadoras para acesso a internet no País.
Jeferson Benjamim, da GVT, destacou que a rede da operadora está pronta para oferecer sinal de televisão. Para Sidney Longo, do CPqD, a questão fundamental a ser resolvida é regulatória, já que as teles ainda não podem oferecer serviços de televisão.
Os debatedores reconheceram que a qualidade dos links de internet no Brasil ainda deixa muito a desejar. No entanto, “a evolução é assustadoramente rápida”, disse Edgar Amorin. Para Sidney, um grande passo será dado quando a tecnologia FTTH (fiber-to-the-home) começar a difundir fibra ótica diretamente nas casas dos brasileiros. “Em dois anos a FTTH vai se difundir no País todo”, disse.
Atualmente, no entanto, as operadoras de telefonia parecem não estar se esforçando para derrubar os preços dos links nacionais, diz Jeferson Benjamim, da GVT. A alternativa mais viável, segundo ele, é que os profissionais de TI se adequem às alternativas oferecidas pelo mercado, movidos principalmente pelas suas necessidades.

