IPv6

IPV6: A migração deve ser imediata?

Alog, Locaweb e NIC.br, em entrevista exclusiva ao Portal IPNews, comentaram a respeito dos ônus e dos bônusda migração imediata.

O IPv6 já é um tema discutido em todo o mundo. Segundo centros de pesquisas, o IPv4 deve acabar ainda este ano ou, no máximo, em 2011. O Brasil, em particular, ainda tem uma reserva de domínios, mas que também pode durar até dois anos. Com o tema em repercussão, muitas empresas já se preocupam em migrar equipamentos e ambientes para o novo protocolo, como é o caso da Alog. Outras, no entanto, acreditam que é necessário haver um estudo para que não haja falhas no sistema posteriormente, quebrando, assim, as expectativas de clientes, como a Locaweb.
 
Em entrevista exclusiva ao Portal IPNews, estes data centers e o NIC.br explicaram os benefícios, malefícios e importância da migração atual para o IPv6.
 
Recentemente, a Alog Data Centers anunciou investimento de R$1 milhão em infraestrutura para suporte do novo protocolo. De acordo com o gerente da área de redes da empresa, Rafael Bittencourt, a companhia já opera em fila dupla (IPv4 e IPv6 simultaneamente) desde o ano passado e todos os novos sites criados já possuem os protocolos.
 
“Vimos a necessidade de investir na migração porque, assim, há acesso fundamental para o nosso crescimento e o de nossos clientes. Nos antecipamos e hoje todos os nossos clientes, que respondem positivamente, já possuem o IPv6 junto ao IPv4”, comenta, destacando que a Alog já possui 850 projetos corporativos com o novo protocolo.
 
Rafael afirma que, para se obter interoperabilidade e continuidade dos negócios, é necessária a migração imediata, pois “não é uma operação que pode ser feita da noite para o dia. É preciso tempo e costume nas novas redes. Os nossos clientes ainda não utilizam o IPv6, mas já mantêm implantado no sistema”, diz.
 
Contrario à rápida migração para o novo protocolo, o gerente de redes de segurança da Locaweb, Nelson Murilo, afirma que a operação não deve ser feita às pressas, mesmo com a ameaça de fim dos domínios em vista.
 
A empresa, que somente possui equipamentos IPv6, mas ainda não migrou o ambiente, criou um grupo de estudos para avaliação dos pontos relevantes e irrelevantes da mudança de protocolo que, segundo Murilo, será importante e não deve ter impactos. Para ele, é importante que não haja brechas para falhas, pois, se tal acontece, os mais afetados serão os clientes.
 
“O IPv6 tem uma característica própria, então, tentar sair na frente com essa migração talvez não seja a coisa certa, pois podem acontecer falhas e incompatibilidades. Os especialistas ainda estão procurando erros no protocolo”, aponta ele, afirmando que a empresa espera que no início do ano que vem já haja planejamento para todo o ano.
 
Para entender sobre a eficiência da migração rápida para o IPv6, o Portal IPNews conversou com o coordenador de projetos do NIC.br (braço executivo do CGI.br), Antônio Moreiras.
 
Segundo o executivo, no Brasil já há uma média de 800 redes com IP e, deste total, 167 já solicitaram blocos de IPv6 e já estão em algum estágio de implantação. Para ele, a migração é importante tanto para os provedores de internet como para as empresas de Telecom, para que os clientes deles também mudem o ambiente.
 
Moreiras acredita que, em breve, a mudança de IP chegará nos usuários de internet, inclusive os domésticos. “Mesmo que um provedor não queira fazer a implantação imediata é recomendável, pelo menos, adiantar a migração, pois, no início de 2011 o IPv4 se esgota e só contaremos com o estoque brasileiro, que também acabará rapidamente”, alerta ele.
 
Internet das Coisas
 
Uma pesquisa recente revela que, até 2020, cerca de 7 trilhões de dispositivos estarão conectados à internet.
 
Questionado sobre o Connected World, Moreiras afirma que o IPv6, apesar de ser limitado, possui uma quantidade imensurável de domínios, o que não gerará problemas e falhas quando os objetos começarem, de fato, a se conectar à rede.
 
“Certamente o IPv6 suportará esse número de dispositivos. Para se ter uma idéia, um usuário doméstico, por exemplo, a partir do novo protocolo, poderá ter, dentro de casa, até 256 redes disponíveis. Podem existir novas versões do IPv6, mas acredito que por outro motivo, não por falta de endereços”, aponta.
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