Um levantamento da ISH Tecnologia, companhia brasileira de cibersegurança, revela que os aplicativos de mensagens WhatsApp e Telegram estão na mira de cibercriminosos que exploram vulnerabilidades graves. O levantamento identificou que ataques do tipo zero-click, que não exigem interação da vítima, vêm sendo usados para espionar usuários sem deixar rastros.
CONTEÚDO RELACIONADO: Brasil perdeu mais de R$ 297,7 bilhões com fraudes em 2024
Os pesquisadores da ISH analisaram a ação de spywares avançados, como o Graphite, da empresa israelense Paragon Solutions, que se aproveita de falhas nos apps para infiltrar códigos maliciosos sem que o usuário perceba. O WhatsApp e o Telegram são especialmente visados porque trocam bilhões de mensagens por dia e processam automaticamente diversos formatos de arquivos, como PDFs e imagens – ponto de entrada explorado por ciberespiões.
Diferente de golpes tradicionais, em que criminosos tentam induzir o clique em links maliciosos, os ataques zero-click utilizam falhas no próprio sistema dos aplicativos para ativar o spyware automaticamente. No caso do Graphite, a invasão ocorre por meio de documentos PDF enviados a grupos de conversa, explorando brechas na renderização do arquivo.
Fluxo de geral da infecção e entrega do Graphite
A pesquisa destaca que o Graphite faz parte de um cenário mais amplo de espionagem digital, onde operam ferramentas como Pegasus, da NSO Group, e Predator, da Cytrox. Embora oficialmente vendidas para governos e forças de segurança, essas tecnologias vêm sendo usadas de forma indiscriminada, afetando desde jornalistas e ativistas até empresários e políticos.
Tanto o WhatsApp quanto o Telegram já tiveram vulnerabilidades exploradas em ataques zero-click no passado. Em 2019, uma falha no WhatsApp permitiu que hackers instalassem o Pegasus apenas com uma chamada de voz, sem que o usuário precisasse atender. Já em 2022, o Telegram foi alvo de um ataque semelhante, que explorava falhas no carregamento de GIFs para executar códigos maliciosos.
Como se proteger?
A ISH recomenda que os usuários sigam os seguintes passos para se protegerem:
- Mantenha seus aplicativos e sistema operacional atualizados – As empresas de tecnologia lançam correções constantemente para fechar brechas de segurança.
- Evite abrir arquivos suspeitos, mesmo vindos de contatos conhecidos – PDFs, imagens e links podem conter códigos maliciosos disfarçados.
- Revise as permissões dos aplicativos – Limite o acesso a câmera, microfone e arquivos para minimizar a exposição a spywares.
- Use soluções de segurança confiáveis – Aplicativos de proteção ajudam a identificar e bloquear atividades suspeitas.
- Reinicie o celular regularmente – Alguns spywares só funcionam enquanto o dispositivo permanece ligado sem interrupções.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X (Twitter).

