Futurecom 2009

LTE avança mesmo sem implementações

Durante esse ano as atividades em torno da tecnologia (Long-Term Evolution) se focou em operadoras que decidiram migrar para HSPA+, para terem uma transmissão de dados de 28 Mbps de download.

Entre as empresas que já anunciaram essa atualização estão: Telstra, na Austrália, Swisscom, na Suíça, Roger Wireless, no Canadá, StarHub, em Singapura, Vodafone na Grécia e Portugal, e TIM, entre outros.

Ainda que se possa argumentar que com essa atualização as operadoras estariam em condições de ter uma oferta superior de banda larga móvel, a LTE começará a ser implementada a partir do próximo ano. Salvo as operadoras CDMA2000, como Verizon Wireless e NTT DoCoMo, no Japão, a maioria das implementações iniciais será tipo "hotspot", cobrindo uma zona específica com demanda por alta taxa de dados.

Os lançamentos não serão fáceis e trazem consigo uma importante lista de desafios, a maioria associada à imaturidade da tecnologia, que se agrava por ser diferente de suas antecessoras. A evolução para LTE supõe uma migração similar à que as operadoras fizeram ao passar do GSM para o WCDMA: novo espectro e nova tecnologia, já que a LTE está baseada em OFDM.

Como nova tecnologia, os custos de implementação não são menores. A empresa Aircom International, consultoria que se especializou na otimização e planejamento das redes celulares, estima que as principais operadoras dos Estados Unidos, a Verizon Wireless e a AT&T, deverão investir cerca de US$ 1,7 bilhão durante o primeiro ano da implementação da tecnologia. Uma operadora européia de primeira ordem, como por exemplo a Telefónica, na Espanha, ou a Orange, no Reino Unido, pode chegar a investir US$ 880 milhões durante o primeiro ano da implementação.

Os elevados preços de implementação, junto com um panorama econômico internacional desfavorável — ainda que melhor — colocam pressão financeira sobre as implementações da LTE, motivo pelo qual a Aircom recomenda usar a imaginação para lançar a tecnologia. Compartilhar implementações com outros competidores ou o uso da tecnologia SON (Self Organization Networks) é parte das recomendações da consultoria.

Por enquanto, as operadoras não estão pensando em compartilhar as implementações da tecnologia, já que todos se encontram em fase de testes. Além disso, o lançamento da LTE é um dos poucos diferenciais que as operadoras têm para captar usuários de seus competidores, pois, ao contrário do que se sucedeu com outras tecnologias, os mercados que se lançarão a tecnologia em 2010 e 2011 estarão totalmente saturados, salvo casos muito concretos.

Algumas operadoras têm anunciado os fornecedores escolhidos, sejam para os testes iniciais ou para a primeira fase de implementação da tecnologia. A Verizon Wireless, que em função de sua tecnologia (CDMA2000) necessita migrar para LTE, é a operadora que se mostra mais agressiva para o lançamento. Em fevereiro, ela anunciou que seus principais fornecedores serão a Alcatel-Lucent, a Ericsson e a Starent Networks. Seus planos incluem o lançamento quase nacional logo de saída, para igualar o quanto antes a cobertura de sua rede CDMA2000, da qual espera utilizar parte de seus recursos de backhaul.

Na América Latina, tanto a Entel PCS no Chile, com a Ericsson, como a Telefónica no Brasil e Argentina, com alguns dos seis fornecedores que a empresa já escolheu, realizarão testes com a tecnologia, possivelmente até o final do ano, e poderão fazer lançamentos comerciais em 2011. Além disso, a filial do grupo espanhol no Reino Unido, a O2, anunciou recentemente o lançamento massivo da tecnologia para 2010.

A última projeção sobre LTE foi divulgada em julho pela Juniper Research, e estima que em 2014 haverá 100 milhões de usuários LTE no mundo. Os dados da Juniper estão em linha com a projeção da Cantab Wireless que, no final do ano passado, projetava 85 milhões de usuários em 2013, ainda que os dados da Juniper não sigam a progressão exponencial da Cantab que, para 2012, estima 25 milhões de usuários.

De qualquer forma, inclusive em 2014, a tecnologia terá uma posição de nicho ante um mercado mundial de dispositivos celulares que chegará a 4,6 bilhões de usuários até o final do ano.

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