*Por Rodrigo Conceição Santos – Especial para o IPNews
Há 12 anos a Prefeitura de Manaus constrói sua infraestrutura digital progressivamente, e hoje a tem baseada em nuvem privada e processamento local de dados com tecnologias da Nutanix e dois data centers próprios. O registro, aliás, é que a Secretaria Municipal de Finanças, Planejamento e Tecnologia da Informação (Semef) da cidade teria sido a primeira a adotar solução da companhia norte-americana no Brasil, e contínuo planejamento de extensões, inclusive envolvendo inteligência artificial.
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A configuração de Semef é pouco comum nas capitais brasileiras, mas em Manaus ela demonstra a conveniência com os investimentos viabilizados. Atualmente, por exemplo, o órgão mapeia ações de inteligência artificial para o futuro e já busca aportes para suportá-los. “Entendemos que ainda estamos em fase inicial. Precisamos avançar com cautela, porque o serviço público exige precisão”, diz Sérgio Souza, subsecretário de TI da Semef. Segundo ele, o município prevê aportes entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões em novas soluções da Nutanix, em um plano que inclui a aquisição de 16 novos nós, sendo seis dedicados à formação de um cluster de IA.
Souza é funcionário de carreira e responde pela gestão dos servidores e pela aplicação dos serviços digitais. Ele integra a equipe de Clécio Freire, secretário Municipal de Finanças e Tecnologia da Informação (Semef).
Modernização com Nutanix
A estrutura de digitalização de Manaus começou a ser implementada antes mesmo da parceria com a Nutanix, em 2014. Em 2005, lembra Prata, a prefeitura operava com um centro de processamento de dados e, a partir de 2012, iniciou a migração para um modelo de data center estruturado, após mudanças contratuais com fornecedores. Nesse contexto, a Nutanix apresentou testes de equipamentos que performaram três vezes melhor, e por isso levou o contrato. “Nos testes, constatamos que processos que levavam 24 horas passaram a ser executados em entre seis e oito horas, sem otimização”, diz Souza. “Com ajustes posteriores, o tempo de processamento foi reduzido ainda mais”, completa.
A mudança também alterou a escala do ambiente. Antes da adoção, a prefeitura operava cerca de 250 máquinas virtuais (VMs), rodando sobre 54 nós (dispositivos conectados à rede). Em 2014, esse volume foi reduzido para três nós da Nutanix, e, mesmo assim, o ambiente passou a suportar 600 máquinas virtuais. Atualmente, a estrutura soma cerca de 1,5 mil VMs e mais de 80 máquinas, com nova expansão prevista para 2026.
A opção por nuvem privada foi definida desde o início. Isso porque o município lida com dados sensíveis de mais de 2 milhões de habitantes e, para garantir segurança e continuidade, foi implantado um segundo data center há cerca de seis anos, com replicação de dados. Tanto este quanto o primeiro data center são da própria prefeitura, segundo Souza. “O objetivo é avançar para redundância completa, com operações em tempo real. Sempre pensamos a estrutura antes mesmo da tecnologia estar disponível, como em um roteiro que antecede o filme”, brinca Souza, ao comparar o planejamento da cidade com processos de antecipação tecnológica.
Cidade inteligente e gestão por dados
A infraestrutura sustenta projetos de cidade inteligente e governo digital, onde parte dos serviços já é totalmente digital e parte opera de forma híbrida, com entrada digital e etapas presenciais posteriormente. A meta é avançar para processos totalmente digitais, segundo Souza e, por isso, diferentes órgãos municipais compartilham informações e monitoram operações urbanas por meio do Centro de Cooperação da Cidade (CCC). “O modelo mantém a autonomia das secretarias, mas integra dados em um ambiente comum”, explica.
Entre as iniciativas estão sistemas de semáforos inteligentes, cerca de 200 câmeras de monitoramento e nove estações meteorológicas distribuídas pela cidade.
A gestão de dados é organizada em um ambiente de geoprocessamento, chamado internamente de geocolaboração. A plataforma reúne cerca de 800 camadas de dados alimentadas por diferentes secretarias. A partir desse conjunto, a prefeitura desenvolve análises para apoiar políticas públicas. Mapas de calor identificam 250 áreas de risco, por exemplo, permitindo a criação de programas específicos para cada região. Na saúde, o sistema acompanha indicadores como endemias e o pré-natal de gestantes, com ações de busca ativa para que estas não descuidem da saúde dos futuros bebês.
Na educação, o monitoramento da rede de ensino permite acompanhar matrículas e reduzir a evasão escolar e, segundo o secretário Cleuso Freire, o modelo contribuiu para posicionar Manaus entre as capitais com melhores indicadores nesse campo. * O jornalista viajou a Chicago a convite da Nutanix.
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