Análise Setorial

Mídias sociais alteram relações de consumo

ImageEspecialistas afirmam que o consumidor mudou e que cabe às empresas se adaptarem à nova realidade imposta pela web 2.0.

As redes sociais revolucionaram o comportamento dos clientes e, consequentemente, a relação entre empresa e consumidor, já que este não é mais um agente passivo na comunicação entre as partes. Essa é uma tendência que deve aumentar cada vez mais: de acordo com dados da Nielsen Research, o tempo de navegação em redes sociais tem crescido três vezes mais que as outras atividades desenvolvidas na web.

Para discutir o assunto, Essio Floridi, gerente do Yahoo, Alexandre Canatella, CEO co-funder do Cyber Cook Cyber Diet, e Guilherme Gomide, diretor da Mídia Digital, se reuniram no painel ‘Mídias Sociais: Conceito, Aplicações e Tendências’, realizado durante o II Digital Media Conference, evento promovido pela Corpbusiness.

Primeiramente, para as empresas se adaptarem à nova realidade, Floridi explicou que é preciso entender quem é o consumidor web 2.0: “essas pessoas recomendam bons produtos, acreditam que vale a pena falar sobre uma boa marca, não gostam da publicidade tradicional e procuram interatividade”.

Um dos impactos resultantes desse novo consumidor é a volta do fenômeno do boca a boca, dessa vez com alcance antes inimaginável. “Se antes o boca a boca era o resultado do marketing, hoje é o marketing em si”, afirma Floridi. Afinal, uma boa ou má propaganda construída a partir de experiência própria influencia mais os consumidores, o que faz com que as mídias sociais tenham impacto direto nas vendas.

Gomide, diretor da Mídia Digital, explica que a empresa pode aproveitar esse universo para saber o que as pessoas falam e entendem sobre sua marca, aumentar a exposição no mercado, divulgar seus produtos e serviços, descobrir novas oportunidades e consumidores, entre outras vantagens.

A Smirnoff é exemplo de empresa que soube aproveitar esse universo, de acordo com Floridi. Com o intuito de associar a Smirnoff Caipiroska à realização de churrascos, a marca criou um ponto de encontro virtual para os internautas, o site www.churraskeiro.com.br. No site, além de conferir sugestões do especialista István Wessel, os usuários podem organizar todo o seu evento, por meio de ferramentas como a calculadora de churrasco, que mostra quanto de carne e carvão será necessário para o número de convidados indicados. No site, o churrasqueiro pode também checar a previsão do tempo do dia marcado, enviar convite digital aos amigos, torpedos SMS como lembrete e o mapa com o local do evento. “É uma forma de explorar a rede social indo além da publicidade tradicional e se tornando um prestador de serviço”, diz Floridi.

A opinião dos internautas também pode nortear as decisões estratégicas da empresa. Gomide cita como exemplo a marca Nescau, da Nestlé, que começou a lançar muitas variações de seu produto original enquanto este deixou de ser prioridade de venda. “Milhares de usuários reclamaram em redes sociais, e isso fez com que a empresa voltasse a priorizar a comercialização do Nescau tradicional”. Para Gomide, aí está o segredo de como as empresas devem agir no ambiente 2.0: “em primeiro lugar você precisa ouvir o cliente, entendê-lo e depois agir”.

Canatella, do Cyber Cook Cyber Diet, alerta que as empresas devem sempre lembrar que, mais do que nunca, vivemos em um tempo de mudanças, “e elas têm vindo rápidas e em uma estrada sem volta”.

Como exemplo, o executivo cita estudo do Life Project’s, que mostra que atualmente 65% dos adolescentes possuem perfil em redes sociais. “Quando esses jovens entrarem no consumo de notícia, as regras vão mudar, e o maior desafio para as empresas é saber como sobreviver em um mundo cada vez mais digital”, finaliza Canatella.

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