Estratégias

Mercado de luxo cresce no Brasil

Carlos Ferreirinha, da MCF Consultoria & Conhecimento

Carlos Ferreirinha, da MCF Consultoria & Conhecimento

Apesar do cenário favorável, empresários apontam a tributação, a dificuldade de importação e a volatilidade cambial como os principais obstáculos para o segmento.

Em 2007, o mercado de luxo brasileiro teve faturamento de US$ 5 bilhões e crescimento de 17%, número três vezes superior ao registrado pelo PIB brasileiro no mesmo ano. Os números fazem parte da pesquisa ‘O Mercado de Luxo no Brasil – ANO II’, realizada pela MCF Consultoria & Conhecimento e pela Gfk Indicator.

O Brasil é um mercado emergente para o negócio de luxo, com grandes possibilidades de expansão. “Em 2007, o segmento de luxo brasileiro faturou US$ 5 bilhões e cresceu 17%, enquanto o avanço do PIB nacional foi de 5,4%. Isso representa 1% do faturamento do setor no mundo. Acredito que temos fôlego para dobrar 2% do consumo mundial do luxo em dez anos”, afirma Carlos Ferreirinha, consultor de luxo e diretor-presidente da MCF Consultoria & Conhecimento.

Embora a participação do Brasil no cenário mundial do mercado de luxo ainda seja pequena, Ferreirinha acredita que o país apresenta um interessante potencial de crescimento e um ritmo contínuo e vigoroso de expansão, sendo o principal mercado dentro do eixo latino. “Para 2008, a expectativa é manter a média histórica de crescimento, em torno de 20%. É um resultado significativo, porém há muito espaço a ser explorado. Outros países emergentes têm apresentado aumento bem superior ao brasileiro”, completa.

Atualmente, o segmento de luxo movimenta cerca de US$ 210 bilhões ao ano em todo mundo, cabendo ao Brasil 1% desse faturamento. Embora não seja um número desprezível, países como China, Rússia, Índia e Leste Europeu apresentam crescimento anual em torno de 98%, 62%, 44% e 35%, respectivamente. Já no Brasil, esta média não ultrapassa os 17%, o que faz com que ainda haja muito espaço para o crescimento do setor.

Das companhias participantes da pesquisa, 59% são de origem nacional e 71% estão localizadas na cidade de São Paulo. “Nas projeções para 2008, Rio de Janeiro e Distrito Federal devem ter uma expansão significativa dentro do mercado de luxo, concentrando, respectivamente, 44% e 28% das empresas”, diz Ricardo Moura, gerente de projeto da Gjk Indicator. Além disso, a pesquisa identificou que 48% dessas empresas estão sob o comando do próprio dono ou sócio do negócio de luxo. O perfil desse executivo é predominantemente masculino (60%), na faixa etária de 31 a 40 anos (37%).

Já o público consumidor do mercado de luxo está predominantemente em São Paulo (62%), e é formado principalmente por mulheres (58%) com idade entre 26 e 35 anos (40%). De acordo com a pesquisa, dentre as categorias de produtos mais procurados estão: moda (70%), alimentos e bebidas (64%), jóias e relógios (60%), saúde e cosméticos (55%).

Apesar do cenário favorável, os executivos entrevistados apontam a tributação, a dificuldade de importação e a volatilidade cambial como os principais obstáculos para a expansão e a implantação do negócio de luxo no Brasil.

O segmento na web
Segundo um levantamento realizado pelo IBOPE com 16,8 mil pessoas (Target Group Index, que tem por alvo a população de 12 a 64 anos que mora nas regiões metropolitanas do país e no interior dos Estados do Sul e Sudeste), uma em cada cinco pessoas (20,4%) com renda de R$ 3 mil a R$ 4.499 mensais realizou compras pela internet nos 30 dias anteriores à realização da pesquisa. Na faixa de renda superior a R$ 4,5 mil, a relação sobe para 27% (cerca de uma em cada quatro pessoas). Diante desse cenário, e com o crescimento da geração de renda entre os brasileiros, muitas empresas apostam no mercado de luxo na web.

Um exemplo é o portal Obravip.com, boutique virtual de acabamentos e decoração, que foi desenvolvida por empresários brasileiros após extensas pesquisas sobre o mercado de luxo no Brasil e no exterior. Outro exemplo é o portal Superexclusivo, que realiza vendas virtuais de grifes como Reinaldo Lourenço e Adriana Degreas, entre outros.

O MercadoLivre.com, plataforma de compras e vendas da internet, identificou que, entre o segmento de alto luxo na internet, objetos de cunho exclusivo ou de edição limitada, de modo geral, são os parâmetros que regem o consumo de luxo dos usuários do site. Entre os produtos comercializados, destaque para relógios de luxo de R$ 15 a R$ 20 mil; carros esportivos de luxo por até R$ 220 mil; motos esportivas na faixa dos R$ 30 mil; câmeras fotográficas de última geração de R$ 20 mil; jogos de tacos de golfe que ultrapassam os R$ 1.500; pianos variando de R$ 30 mil a R$ 60 mil; antiguidades e raridades das mais diversas; filhotes de pôneis a R$ 5 mil e de cães de raça na faixa de R$ 3 mil.

"A internet é uma janela para o mundo e abriga todo tipo de usuário, até mesmo o mais exigente", conta Stelleo Tolda, diretor-presidente do MercadoLivre.com. "A tendência de anunciar itens únicos e exclusivos está muito em voga na internet", completa.

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