Após susto da crise econômica, vendas de imóveis com valores entre R$ 350 mil e R$ 1 milhão foram as que mais cresceram no mês de março.
Depois de um início de ano marcado pelas incertezas geradas pela crise econômica mundial, o mercado de vendas de imóveis usados se recuperou e teve, em março, um crescimento de 64,1% no número de negócios fechados na capital paulista, em comparação com fevereiro. É o que aponta levantamento realizado pela Lello, empresa de administração imobiliária.
Em janeiro, a empresa havia registrado queda de 30,6% no total de imóveis comercializados em relação a dezembro de 2008. Já em fevereiro, esse índice subiu para 26,5%. Para Roseli Hernandes, gerente geral de Locação e Vendas da Lello Imóveis, mesmo com a crise o mercado da construção civil irá continuar aquecido, porém em ritmo menos acelerado que o observado nos últimos anos.
Mas, segundo Roseli, a situação adversa representa também um amadurecimento do setor. “Estávamos em um patamar ilusório, até mesmo os terrenos estavam supervalorizados, pois as construtoras precisavam de áreas para viabilizar suas obras. Agora, o setor está com os pés no chão; ainda teremos lançamentos, mas não mais no ritmo do ano passado”, explica. Como o número de novas construções é menor que o de imóveis disponíveis no mercado, a venda de casas e apartamentos usados deve se manter como tendência.
De acordo com o levantamento, o crescimento foi maior no fechamento de vendas de imóveis com valores entre R$ 350 mil e R$ 1 milhão, especialmente em regiões como Mooca, Perdizes, Higienópolis, Pacaembu e Tatuapé, indicando que muitas pessoas com dinheiro aplicado passaram a investir no mercado imobiliário como alternativa à Bolsa de Valores e outros investimentos.
“O imóvel é um investimento tradicional e que, em qualquer lugar do mundo, resiste a qualquer crise. Quem investe em imóveis pode ganhar com a valorização da região e até mesmo com o rendimento dos aluguéis, que é o complemento de orçamento de muitos proprietários”, diz Roseli.
Apostando nesta tendência, a Lello vai continuar concentrando suas vendas em imóveis para a classe média e média alta, embora a procura por imóveis seja maior pela população de baixa renda. “Devido ao déficit, a procura sempre vai ser maior nesse nicho, mas, nas regiões mais centrais, onde trabalhamos, não se acha imóvel para baixa renda”, declara Roseli. Para a gerente de locação, devem ser criados programas mais estruturados para que essa camada da população também tenha acesso a casa própria.
Outra estratégia da empresa para aumentar as vendas – a meta de crescimento da Lello para este ano é de 20% a 25% – é o investimento em diferentes ações de marketing para divulgar as novidades da empresa. “Sempre fazemos uma análise de qual mídia é mais estratégica para cada tipo de imóvel”, diz Roseli.
Uma das ações é a constante atualização do site, que conta com fotos e informações de todos os imóveis disponíveis, links patrocinados no Google, anúncios em sites, revistas e jornais. Outra frente explorada pela Lello, já tradicional no ramo imobiliário, é a realização de publicidade local, com placas, banners e plantonistas.

