Ponto de Vista

Minha empresa está preparada para tratamento de sinais fracos? – Parte 1

Inteligência antecipativa e interpretação de sinais fracos é algo que se pode deixar para depois?  É sobre o que fala, neste artigo, Fernando C. de Almeida, coordenador do MBA Inteligência Estratégica da Fipe.

Essa foi uma das questões que coloquei em uma pequena pesquisa que fiz. As empresas respondentes, mostram que consideram não estar preparadas e, portanto, não tem em andamento esta iniciativa na empresa. Esta questão foi bastante debatida em minha última aula no curso de pós, Administração de Informação e Inteligência da Empresa. O ponto que levanto, é que não existe momento melhor para iniciar tal processo que não imediatamente. Não penso que exista uma preparação prévia para que as empresas comecem a tratar o assunto. Que precisam ter uma área de inteligência para tratar dados de mercado, para então terem um processo de inteligência antecipativa baseada na análise de sinais fracos.

Discutimos sobre maturidade da empresa com relação a IC. Um participante do curso entendia que primeiro deve-se começar com um processo mais operacional de coleta de dados, de mapeamento do mercado, da concorrência, análises quantitativas e relatórios decorrentes para suprir a demanda que muitas vezes está latente na empresa ou insuficientemente suprida. Os executivos sentem que não tem informação suficiente do mercado. Vêem então uma área de IC como tábua de salvação para suas necessidades básicas de informação de mercado. Ótimo. Que se dêem a eles dados de mercado, para entender como está ou como estava o mercado ontem.

Mas isto quer dizer que o monitoramento de movimentos estratégicos no ambiente competitivo deve esperar, porque primeiro a empresa deve ter uma visão precisa sobre o passado? Ou deveria colocar isso como uma prioridade, para não ser surpreendida por movimentos futuros do mercado (e do ambiente competitivo em geral)?

“O que separa a vitória da derrota, são duas palavras: tarde demais” (General McCarthur, comandante das forças armadas dos Estados Unidos no Extremo Oriente na Segunda Guerra).

Se uma empresa pretende antecipar movimentos do mercado apenas olhando resumos de análises de dados coletados, seja em fontes secundárias, seja em fontes primárias, está certamente fadada a dar respostas tardias ou respostas baseadas em projeções do passado. Deduções baseadas em relatórios e pesquisas de mercado (o que muitos chamam de inteligência de mercado), trazem informação sobre o passado. E o futuro nem sempre é uma tendência em relação ao passado. Parece que temos vivenciado isto bastante ultimamente na economia.

Se a empresa não tem um processo de inteligência antecipativa até hoje, deve provavelmente ter sido surpreendida algumas vezes por movimentos seja da concorrência, do cliente ou outros que poderiam ter sido antecipados dentro de um processo estruturado. Então inteligência antecipativa e interpretação de sinais fracos é algo que se pode deixar para depois?

A empresa deveria, ao contrário, dar atenção especial a esses processos. Não é possível que uma media ou grande empresa já não tenha um mínimo de informação de mercado. Que ainda precise buscar estar mais avisada sobre o que aconteceu ontem, com relação a informações de como está o mercado hoje, entender suficientemente sobre onde o concorrente se encontra e o que faz para então tentar entender como será o mercado amanhã. Pode ser “tarde demais”.

Criar sentido a partir de sinais fracos (é como costumo me referir ao processo), significar antecipar para tomar decisões em tempo. Existe uma diferença entre tomar uma decisão em tempo e tomar uma decisão rapidamente. Se preciso tomar uma decisão rapidamente, é porque não a tomei em tempo adequado e preciso correr para não ser tarde demais. O que pode significar tomar uma decisão pouco pensada, pouco planejada e talvez inadequada. Agilidade não significa precipitação. Significa flexibilidade de movimentos. Mas poder entender os sinais fracos emitidos no ambiente e antecipar movimentos do mercado o mais cedo possível, pode permitir à empresa tomar decisões em tempo de se preparar eficazmente para o que está por vir. Seja aproveitar uma oportunidade, seja contornar, minimizar ou evitar uma ameaça.

Então entendo que a empresa sempre está preparada para este tipo de processo. Se já não estiver atrasada e perdendo oportunidades. E nunca estará suficientemente suprida de informações de posicionamento atual do concorrente no mercado e não pode esperar pleno conhecimento do mercado atual para então preocupar-se em analisar informações estratégicas e antecipativas.

Esperar até estar preparado para tratar sinais fracos, parece aquela história do pessoal de informática que estava sempre querendo primeiro fazer um bom banco de dados, bem estruturado, bem organizado, para depois então começar a fornecer informação gerencial para o corpo executivo. Exerciam a busca pela plenitude. Ter um banco de dados suficientemente e corretamente implementado. Enquanto isso o mundo vai rodando e as oportunidades de tomada de decisão em tempo e eficazes vão passando…

Fernando C. de Almeida é Fundador da ADVS Brasil – Association Developpement Veille Stratégique (www.advsbrasil.com.br), associada à ADVS França, voltada a consultoria e pesquisa em Inteligência Competitiva e Estratégia. Almeida também é responsável pela parceria ADVS Brasil com a Academy of CI – Fuld, Gilad e Herring Company, número 1 nos EUA em cursos em Inteligência Estratégica e dinâmicas de War Games. É coordenador do MBA Inteligência Estratégica da Fipe

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