VoIP

Na conversão pulso-minuto, VoIP quer indecisos

Provedores VoIP querem aproveitar a confusão causada pela mudança de pulso para minuto para conquistar usuários indecisos. A oferta é grande e a concorrência também. Até provedores de internet e empresas de TV a Cabo querem tirar proveito deste mercado. Entre eles estão UOL, Terra, Net, TVA, Skype e Google.

Desde 1º de julho, os usuários da telefonia fixa foram inseridos a uma mudança ainda questionável: o consumo da telefonia passou a ser medido em minutos e não mais por pulsos como definia a história das telecomunicações no País.

A determinação da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) obrigou as empresas do setor detalharem, nos extratos enviados aos consumidores, cada ligação feita e o tempo de conversa – o que já era descrito em ligações interurbanas, internacionais e celulares.

Mas o que parecia ser uma “conquista” dos consumidores, tem gerado dor-de-cabeça. As operadoras cumpriram a determinação, porém para não perderem dinheiro, adaptaram o modelo. A Anatel determinou que as empresas seriam obrigadas a ofertar dois planos: o Plano Básico de Minutos (PBL) e o Plano Alternativo de Serviços de Oferta Obrigatória (PASOO).

O primeiro é destinado àqueles que fazem ligações telefônicas curtas. Cobra-se um mínimo de 30 segundos (50% do valor do minuto) e o tempo de utilização adicional tarifado a cada seis segundos. No plano alternativo, o perfil do usuário é aquele que faz chamadas mais longas e tem acesso discado à Internet em casa. Assim que inicia a ligação começa a cobrar o equivalente a quatro minutos. A partir daí a cobrança é feita a cada 6 segundos.

Dúvidas e incertezas têm feito muitos consumidores residenciais e corporativos enxergarem a telefonia baseada em IP como uma alternativa. A prova disso é uma pesquisa realizada pela Frost & Sullivan, empresa internacional de consultoria, que mostra que até 2012 a receita com VoIP chegará a US$ 1,198 bilhão na América Latina. No ano passado, o segmento movimentou algo em torno de US$ 621 milhões.

Os números mostram que as fornecedoras têm muito a investir. A Vono, empresa do grupo GVT, fechou o último trimestre com uma base de 32 mil usuários VoIP, e desde a sua fundação, em janeiro de 2005, tem crescido 4% por semana. A popularização da empresa está sendo percebida com os investimentos publicitários, a exemplo das peças veiculadas na TV aberta há algumas semanas.

“Estamos aproveitando esta confusão na cabeça das pessoas para mostrarmos os nossos produtos”, afirma Ricardo Engelbert, diretor da Unidade de Negócio e Internet da GVT/Vono. No site do provedor estão postados quatro pequenas histórias sequenciais que enfatizam os perfis do consumidor do serviço Vono e dos indecisos.

Proliferação

Nos últimos dois anos o número de empresas, não apenas de telecom, que passaram a ofertar serviços VoIP está crescendo a passos largos. Até provedores de internet e empresas de TV a Cabo querem tirar proveito deste mercado, entre eles UOL, Terra, Net, TVA, Skype e Google.

Na concorrência vale tudo para garantir presença no mercado. “O cliente deve ter cuidado ao utilizar produtos de empresas que não são especializadas. Muitas empresas aparecem e, como não são especializadas no serviço, denigrem a imagem do VoIP oferecendo serviços de má qualidade. O futuro vai mostrar que apenas as empresas sérias, licenciadas pela Anatel, ficarão neste mercado”, prevê Engelbert, da Vono.

Suportadas por operadoras de telecom, essas empresas estão ganhando espaço no mercado. Em março de 2006, o Skype fechou parceria com a Transit Telecom. Com o SkypeIN o provedor atingiu a casa dos 60 mil clientes. E esta semana anunciou outro serviço: os usuários poderão adquirir créditos utilizando cartões nacionais. “Com mais esta oferta esperamos um grande crescimento na receita. O Brasil está entre os principais mercados da companhia no mundo”, explica Carlos Pires, gerente de desenvolvimento de mercado da Skype para a América Latina.

Outro parceiro da Transit é o Universo On-Line (UOL). Há duas semanas, o portal reformulou a versão SoftFone e passou a oferecer o VoIP IN. A negociação vinha sendo feita há mais de um ano, para, segundo Mauro Amaral Jr, gerente de produtos do UOL, “entregar aos usuários uma economia de até 96% nas ligações”.

“Não deixe que os outros escolham por você”. Com este logo a Net oferece, desde março do ano passado, o tripé voz (IP), banda larga e TV a Cabo. O suporte é feito pela Embratel. “Queremos que nossos clientes escolham como querem o serviço de telecomunicação. Esse monopólio (das operadoras de telefones fixos) deve ser derrubado. O usuário tem que se sentir livre para gastar da forma que quiser”, explica Eduardo Guedes, gerente de Produtos de voz e internet da NET.

No último trimestre a operadora fechou com 275 mil assinantes. A meta, até o final do ano, é fechar com 300 mil. “Estamos quase superando. Com certeza os números ultrapassarão”, confirma o executivo.

A concorrência é vista com bons olhos por Carlos Pires. “Há concorrência no mundo todo. Isso é ótimo, pois quem mais se beneficia dessa concorrência é o usuário final, que terá sempre mais opções para a sua comunicação”.

Diante dos fatos, o único que não pode brigar com a supremacia da Telefônica é o provedor Terra. A empresa faz parte do grupo e, mesmo oferecendo o serviço de VoIP, ainda caminhando em baixa velocidade.

Mesmo assim, os dados são expressivos: 285 mil usuários. “A princípio o nosso foco é migrar os nossos 1,7 milhão de assinantes”, defende Marcos Schestak, gerente de produtos do Terra. Há 15 dias, o provedor aumentou o portfólio de planos. Antes somente era possível pagar uma assinatura mensal e ainda comprar créditos. “Agora os clientes estão mais livres para escolherem entre cinco ofertas de serviços”, enfatiza o executivo.

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