Nacional

Natura usa drones com IA para mapear biodiversidade na Amazônia

A Natura conduziu o maior inventário florestal já feito no Brasil utilizando drones com inteligência artificial. O estudo mapeou e coletou em seis meses dados de 60 mil hectares de floresta no Pará, área que equivale a aproximadamente 100 mil campos de futebol. Pelos métodos convencionais, um inventário nessa área levaria mais de duas décadas.

CONTEÚDO RELACIONADO: Nokia e Motorola Solutions integram tecnologia de drones para segurança pública

O objetivo do estudo é ampliar as cadeias produtivas da Natura na Amazônia e coletar dados-chave para projetos de conservação e recuperação florestal, como mensuração de estoques de carbono, saudabilidade das espécies, além de potenciais produtivo e econômico da floresta conservada.

Como a tecnologia auxiliou

Para realizar o inventário florestal conduzido pela Natura no Pará, a Natura contratou a Bioverse, que criou uma tecnologia própria de monitoramento por drones, adquiridos da fabricante nacional Xmobots. O desenvolvimento dessa plataforma, que contou com o apoio do governo federal por meio do Finep, enfrentou desafios regulatórios para atender às exigências do espaço aéreo brasileiro e contou com o envolvimento direto das comunidades locais na implementação da solução tecnológica.

A plataforma de aerolevantamento utiliza inteligência artificial treinada especificamente para reconhecer espécies amazônicas de interesse econômico e ecológico, além de classificar diferentes usos da terra.

Para alcançar esse nível de precisão, foram analisadas milhares de imagens captadas durante sobrevoos realizados pela empresa em diferentes regiões da Amazônia. Segundo a Bioverse, o resultado é um sistema capaz de realizar levantamentos com resolução até dez vezes superior à disponível em imagens de satélites comerciais tradicionais, com um custo operacional reduzido.

Papel das comunidades locais

O trabalho é feito em parceria com cerca de 70 famílias das comunidades dos municípios paraenses de Abaetetuba e Irituia. Dessas, algumas pessoas são contratadas e recebem treinamentos para instalar e operar os equipamentos de sensoriamento remoto, assim como para o uso de softwares que fazem o cruzamento dos dados coletados sobre as espécies com as imagens capturadas pelos drones.

Além do uso dos drones da Xmobots e de uma plataforma desenvolvida pela Bioverse, de processamento das imagens e extração dos dados relevantes que envolvem tecnologia de ponta em geoprocessamento e IA. A startup criou ferramentas digitais acessíveis por dispositivos móveis voltadas especialmente para extrativistas e cooperativas locais.

A ideia é dar às comunidades amazônicas acesso direto e simples aos dados coletados, facilitando o planejamento da produção agroflorestal e o gerenciamento mais preciso das áreas produtivas. Ainda de acordo com Francisco, a medida abre caminho para que produtores regionais se insiram também em iniciativas como projetos de créditos de carbono.

Qual a importância do projeto

O inventário florestal impacta no desenvolvimento e na manutenção das cadeias produtivas em longo prazo, como de tucumã e açaí, que originam bioingredientes presentes em linhas como Natura Ekos. Isto porque a tecnologia permite um plano de manejo mais detalhado para cada espécie utilizada nos produtos, e garante à Natura a melhor forma de extrair insumos da biodiversidade na Amazônia, visando conservação ambiental e ganhos socioeconômicos para as cooperativas da região.

Desde 2000, com o lançamento da linha Natura Ekos, a companhia estabeleceu na região um modelo de negócio baseado na bioeconomia que já desenvolveu 44 bioingredientes, com meta de expansão para 49 nos próximos dois anos.

O manejo dos bioativos é feito de maneira sustentável, em parceria com 44 comunidades amazônidas, que somam mais de 10 mil famílias agroextrativistas. Junto da Natura, contribuem para conservar 2,2 milhões de hectares de floresta – a meta é ampliar a área para 3 milhões até 2030. As ambições públicas da Natura incluem o compromisso de aumentar para 30% os ingredientes-chave provenientes de comunidades e pequenos agricultores, com ênfase na regeneração.

Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e X (Twitter).

Newsletter

Inscreva-se para receber nossa newsletter semanal
com as principais notícias em primeira mão.


    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *