Operadora divulga nota comparando seus preços aos verdadeiros custos do concorrente.
Na primeira quinzena de agosto, a Telefônica iniciou, em toda a sua área de concessão no Estado de São Paulo, a oferta de triple play, reunindo em um mesmo pacote TV por assinatura, Speedy (banda larga) e telefonia fixa. A entrada da operadora neste mercado provocou um verdadeiro rebuliço, principalmente em função de sua oferta.
Na promoção de lançamento, a operadora promete acesso ao Pacote de Acesso da TV, com 18 canais de qualidade de conteúdo fechado mais canais abertos, Speedy (Light, Power, Turbo ou Nitro) e serviços de voz com ligações locais sem limite de uso (fixo-fixo). Após o terceiro mês, ao custo inicial de R$ 118,70.
No entanto, logo após a divulgação, a Net, concorrente direta da Telefônica neste segmento, foi à imprensa para fazer o que chamou de “esclarecer a comparação entre os dois produtos”. Segundo a empresa, o valor passado pela Telefônica não inclui o custo da Assinatura Básica da linha telefônica, que é de R$ 37,98. É necessário também somar o preço do provedor de acesso (ISP), R$ 19,90 mensais, cuja contratação é obrigatória na política comercial do produto de banda larga da operadora. Adicionados ao preço promocional do referido plano, faz com que a despesa mensal do consumidor suba para R$ 127,78 já na primeira fatura.
Além de outros pontos, a Net chama ainda a atenção para o fato de que, no pacote da Telefônica, o que é designado como “ligações locais sem limites” é, na verdade, um plano limitado a 2.000 minutos locais entre terminais fixos da operadora, com necessidade de contratação adicional ao plano básico.
A campanha também foi criticada pela PRO TESTE, entidade voltada para a defesa do consumidor. Segundo a organização, após a análise das condições da promoção, foi constatado que ela induz o consumidor a erro. “A propaganda destaca, por exemplo, como uma das vantagens o “fale a vontade”, no entanto há várias limitações só previstas no regulamento, tanto nos minutos mensais, tipo de chamada, como na própria duração da ligação”, disse a PRO TESTE em nota.
A organização cita também uma fidelização prevista no contrato, ou seja, se houver rompimento em menos de um ano, as multas serão elevadas (R$ 299,00). Pela forma como o contrato foi redigido não fica claro se tal valor terá alteração, impossibilitando uma previsão segura pelo consumidor (valor restante, relativo ao valor total ou parcial da habilitação não cobrado). O consumidor que mudar de residência nesse período também perderá os “benefícios” do pacote.
Em função disso, a entidade afirmou que irá notificar a Telefôninca, pedindo para que o consumidor tenha informação adequada sobre as condições contratuais e para que seja alterado o regulamento da promoção, com informação adequada e mais clara. Foram enviados ofícios ao Ministério Público, à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) para providências.

