
A Inteligência Artificial tem sido usada como catalisador para a escalada dos ataques cibernéticos, potencializando ameaças como engenharia social, ransomwares e ataques direcionados a partir de redes híbridas e dispositivos conectados. Em encontro com jornalistas em São Paulo, executivos da NETSCOUT, especializada em monitoramento de tráfego e cibersegurança, abordaram os riscos atuais e as estratégias para aumentar a visibilidade das redes em um cenário cada vez mais automatizado e imprevisível.
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Kleber Carriello, engenheiro e consultor sênior da NETSCOUT Brasil, destacou que a IA vem sendo utilizada para burlar defesas tradicionais e simular comportamentos legítimos, o que dificulta sua detecção. “Com modelos treinados, os atacantes podem automatizar ações maliciosas sem depender de conhecimento técnico profundo. A IA industrializou os ataques, criando movimentos que se passam por interações rotineiras”, explicou.
A empresa, que monitora cerca de 60% do tráfego global da internet, observa que os riscos já não se concentram apenas em falhas técnicas, mas se deslocaram para vulnerabilidades humanas – um fenômeno diretamente relacionado à engenharia social. Esse tipo de ameaça se baseia em manipulação psicológica para obter acesso não autorizado a sistemas e dados sensíveis. Como mostrou o relatório publicado pelo IPNews, a engenharia social já causa trilhões de dólares em prejuízos no mundo e está em expansão no Brasil.
Para Carriello, as novas ameaças demandam soluções que combinem inteligência de rede, monitoramento em tempo real e detecção comportamental. “A efetividade está em identificar padrões anômalos, como acessos em horários incomuns ou tráfego anormal de IPs”, disse. Ele ressaltou que o modelo de trabalho híbrido, com redes compartilhadas e uso de dispositivos pessoais, amplia a superfície de ataque.
A NETSCOUT reforça a importância de visibilidade ampla de rede como fator crítico de defesa. “É inviável imaginar um sistema 100% imune. Mas é possível diferenciar-se ao investir em monitoramento contínuo, análise de comportamento e resposta rápida”, afirmou Geraldo Guazzelli, diretor-geral da NETSCOUT no Brasil. A empresa recomenda tratar a cibersegurança como investimento estratégico, e não custo adicional.
Outro destaque do encontro foi a exposição de Leonardo Bittioli, engenheiro da NETSCOUT, sobre práticas emergentes como o “ransomware as a service”, que permite a contratação de ataques por hora e a atuação de criminosos diretamente nas redes sociais. Em um caso citado, gerentes de bancos públicos brasileiros foram abordados no Telegram com ofertas de até R$ 30 milhões para colaborar com ciberataques internos.
Bittioli alertou que muitas dessas ameaças se articulam com técnicas de recrutamento, espionagem e até suborno de colaboradores, explorando brechas humanas nas organizações. Segundo ele, a troca de informações entre empresas, governos e setores críticos é essencial para mitigar esse tipo de ataque. “A cooperação é o único caminho possível frente ao dinamismo dos cibercrimes”, pontuou.
Para a NETSCOUT, além da resiliência técnica, é necessário atuar na conscientização dos profissionais e na adoção de soluções que ampliem a observabilidade do tráfego de rede em ambientes complexos, identificando movimentações suspeitas e impedindo que tentativas de intrusão avancem.
Com o avanço da IA e a popularização de ferramentas acessíveis aos criminosos, o cenário de ameaças cibernéticas exige abordagens integradas, mais visibilidade e respostas em tempo real – pilares que definem a atual estratégia da NETSCOUT no Brasil e no mundo.
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