O conceito CEBP dá às empresas agilidade e flexibilidade na tomada de decisões, além de reduzir custos e facilitar a comunicação. Roberto Atayde, executivo de desenvolvimento de negócios da IBM para a América Latina, aposta que o conceito deve estourar no Brasil em breve.
Telefone fixo, telefone móvel, rádio, smartphone, e-mail pessoal, e-mail corporativo, mensagem de texto, messenger. Os meios de comunicação utilizados pelas empresas são cada vez mais abundantes, e gerenciar esse grande número de canais é uma tarefa difícil e onerosa. A Forrester Research informa que as empresas destinam 76% dos seus orçamentos de TI para funcionamento, administração e suporte. Para solucionar esses problemas, foi criado, alguns anos atrás, o conceito de Comunicação Unificada, que integra todos os sistemas de comunicação em uma única solução, via IP, cortando custos, facilitando e agilizando a comunicação da empresa com seus colaboradores, clientes e parceiros.
Com esse modelo devidamente compreendido e relativamente massificado, e a conscientização de que a gestão do negócio é mais importante que a TI, os usuários passaram a querer mais dos sistemas. E fabricantes de tecnologia atenderam, criando o CEBP (Communications Enabled Business Processes) ou Processos de Negócios Habilitados para as Comunicações, conceito que, segundo Roberto Atayde, executivo de desenvolvimento de negócios da IBM para a América Latina, deve estourar no Brasil em breve. “Acredito que até o final do ano o mercado nacional deverá se conscientizar do poder desse modelo e passar a utilizá-lo de forma massificada”.
Pela definição do Gartner, CEBP é a capacidade de ativar funções de comunicação integrada, de modo direto e hermético, com sistemas e aplicativos da tecnologia da informação, que podem ser usadas pelas pessoas a qualquer momento. Para implementar o sistema, as consultorias aproveitam investimentos e recursos de desenvolvimento já existentes na empresa em aplicações de tecnologia da informação e telefonia, de modo a disponibilizar aplicações comerciais de comunicação, criando a base para ativar serviços de comunicação de alcance global e aplicativos de fluxo de trabalho integrados.
“Trata-se de um modelo que integra não só a imensa gama de canais de comunicação, mas esses sistemas com os processos empresariais e tudo por rede IP. Isso porque, hoje em dia, os processos precisam ser dinâmicos e flexíveis, para não engessar a companhia”, sintetiza Atayde.
Como maior diferencial do CEBP em relação aos sistemas de Comunicação Unificada, o executivo aponta a automatização da comunicação, realizada através da minimização da interferência humana nos processos. “Esse é um grande benefício, visto que, atualmente, os processos dependem muito da atuação humana, o que pode atrasar e até mesmo arruinar projetos”, explica.
Para ilustrar a eficácia do modelo, o especialista cita o caso de sucesso, nos Estados Unidos, país em que o sistema já está bastante difundido. “Há uma escola na Flórida que transporta alunos deficientes em um ônibus equipado com GPS e rádio e tudo isso interligado a uma central de operações, que informa aos pais das crianças, via telefone ou internet, a exata localização do veículo, para que os filhos possam ser resgatados em caso de furacão, por exemplo”.
O executivo comenta ainda que o Processo de Negócios Habilitado para as Comunicações pode ser muito útil nos processos fabris. “Quando um problema é detectado na linha de produção, o sistema automaticamente tenta contactar – por telefone, SMS, e-mail ou até pelos auto-falantes da própria empresa – os responsáveis pelo setor em que o evento está ocorrendo”.
Para completar, Atayde informa que a IBM já está apta a ofertar soluções dos parceiros (Nortel, Avaya, Siemens e Cisco) de forma integrada para atender ao conceito. “Fazemos uma consultoria prévia nas empresas para conhecer a maturidade da companhia e, diante disso, identificar quais são suas reais necessidades, sempre aproveitando a infra-estrutura já existente”, frisa.

