Banda Larga

Novas redes e competição são as saídas para melhorar a banda larga

Presidente da Abranet, Eduardo Parajo, e diretor do Teleco, Uber Bernal, avaliam problemas e alternativas para a expansão dos serviços de banda larga no Brasil.

A pane da semana passada com os serviços do Speedy afetou a vida de milhares de usuários em São Paulo, gerando inúmeras reclamações e protestos contra a Telefônica, que se defendeu alegando uma invasão de hackers no seu sistema. Em um país onde há um aumento gradativo dos assinantes de serviços de banda larga, esse tipo de caso trouxe à tona algumas incertezas, a primeira delas é a existência de infraestrutura qualificada para atender o crescimento de usuários com serviços rápidos, de qualidade e a preços semelhantes aos internacionais.

Os números apontam, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que houve um aumento significativo de usuários banda larga no Brasil, que passou de 124 mil, em 2000, para mais de 11 milhões no ano passado. Esse crescimento se deve à situação econômica favorável do país e a redução dos preços de computadores e aquisição de serviços, como os de banda larga.

A rede ADSL é a mais usada hoje no Brasil, devido a grande cobertura de cabeamento telefônico. No entanto, junto com o número de adeptos ao serviço cresceram, paralelamente, as reclamações sobre as quedas de conexão, além da redução de velocidade em determinadas regiões ou em períodos do dia. O problema, no entanto, não está na infraestrutura disponível ou na capacidade de investimento das operadoras, segundo o diretor da Teleco, Uber Bernal. “Há um grande processo de investimentos na ampliação de suas estruturas e recursos”, diz ele.

A visão do presidente da Abranet, Eduardo Parajo, também é otimista em relação à banda larga no Brasil. Porém, ele ressalta um fato que deve ser visto como relevante para melhorar ainda mais os serviços: o aumento da competitividade entre as empresas. Sua alegação aponta que essa medida trará maiores opções de escolha ao consumidor e com preços acessíveis para o mercado nacional.

Segundo Parajo, é comprovado que o monopólio de serviços prestados pelas operadoras já não consegue atender ao crescente número de consumidores e por isso acontecem frequentes problemas. Ele afirma sobre a necessidade de haver uma desagregação de rede, com o objetivo de melhorar os serviços e atender com mais qualidade e rapidez os usuários.

Uma das alternativas para controlar as oscilações e a disponibilidade dos serviços de banda larga é ter mais opções de ferramentas, que possam oferecer o mesmo nível de atendimento e credibilidade dos serviços em ADSL. Mas, conforme Uber Bernal, existe o problema de escolha, porque o preço é elevado e o Brasil só iniciou a implementação de outras tecnologias há pouco tempo, como é o caso do VDSL, ADSL2-Plus e o PLC (via rede de energia elétrica, regulamentado pela Anatel nesta segunda-feira, 13/04).

Os dois especialistas lembram que os casos de panes como os do Speedy são alertas para que, além dos investimentos em infraestrutura, as operadoras se mantenham em constante atualização. “Elas precisam estar atentas e preparadas para qualquer imprevisto, é o mínimo que devem fazer em respeito ao consumidor”, aponta Parajo.

Mesmo com os investimentos das operadoras no setor da infraestrutura e aumento das redes, os especialistas acreditam que o Brasil, assim como em outros países emergentes, terão um longo caminho de evolução e, como afirma o diretor da Teleco, Uber Bernal: “a única forma de superarmos a demanda com folga é utilizar todos os serviços e redes de banda larga disponíveis juntas. As empresas precisam aprender a trabalhar em conjunto”.

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