Internacional

O hype passou: uso racional é o novo “design pattern” da IA

Debo Dutta, em conferência com jornalistas e analistas

*Por Rodrigo Conceição Santos – Especial para o IPNews

Com seu movimento de IA first, o iFood computou a criação de 10 mil agentes de inteligência artificial em 10 meses, todos pelos próprios colaboradores, de diferentes departamentos da companhia. O exemplo da foodtech pode ser encontrado – em diferentes escalas – em muitas companhias nos últimos meses, especialmente as genuinamente digitais. Mas esse movimento em massa tende a diminuir, conforme comentaram especialistas da Nutanix durante o seu evento anual .NEXT, realizado em Chicago, nesta semana.

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Em conferência com analistas e jornalistas, Debo Dutta, Chief AI Officer da Nutanix, confirmou que o consumo de tokens na execução de agentes de inteligência artificial em ambientes corporativos se tornou um ponto de atenção, que pode interferir rapidamente no custo operacional de tecnologia das empresas. 

Em uma simulação ao vivo, ele reproduziu a criação de uma aplicação simples por meio de agentes autônomos de IA que, em poucos minutos, consumiu cerca de 7 milhões de tokens, evidenciando o impacto potencial dessa dinâmica. De modo prático, ele comparou que, se antes a interação com modelos estava limitada à velocidade humana, agora ela passa a ocorrer de forma contínua, com máquinas interagindo entre si, e, naturalmente, ampliando de forma significativa a demanda por processamento.

Esse cenário leva a Nutanix a tratar tokens como um recurso crítico de infraestrutura, de modo que a lógica se aproxima da gestão de armazenamento, rede ou capacidade computacional, com necessidade de monitoramento, controle e priorização de uso.

Segundo Dutta, a discussão sobre custos e riscos ocorre em paralelo ao aumento da complexidade operacional trazida pelos agentes de IA e, por isso, as empresas passam a lidar não apenas com dados sensíveis, mas com cadeias de decisões automatizadas que operam de forma autônoma. “Os clientes querem saber o que está acontecendo dentro do sistema. Eles precisam garantir que não há vazamento de informações ou uso indevido de acesso”, pontua.

Uso racional da IA

O engenheiro da Nutanix Marlon Menezes contextualizou que o momento é de uso racional da IA nas empresas. Ele visualiza maior conscientização para implementar agentes de IA que, de fato, façam sentido para os negócios das empresas. “Estamos falando de cultura de adoção”, diz.
Nessa linha e entre muitas soluções recentes, a Nutanix demonstrou um gateway de IA, que funciona como camada intermediária entre aplicações, agentes e modelos de linguagem, permitindo gerenciar acessos, monitorar uso e integrar diferentes provedores, como OpenAI, Anthropic e Google.

A arquitetura incorpora mecanismos de sandboxing, microsegmentação de rede e controle granular de acesso, e o objetivo é evitar que agentes operem sem restrições, especialmente em ambientes com múltiplos sistemas conectados.

Além da camada de governança, a Nutanix também apresentou um catálogo de IA voltado a empresas que desejam operar seus próprios modelos e agentes com base em software open source. Nesse caso, a proposta é reduzir a complexidade de integração e, assim, otimizar recursos de infraestrutura de dados que, porventura, estejam subutilizados em companhias. “Afinal, muitos clientes estão montando suas próprias soluções combinando diferentes ferramentas. Isso é difícil de gerenciar”, disse Dutta. “Esse é um novo design pattern (padrão de projeto). Assim como evoluímos de ferramentas simples para computadores, agora estamos entrando em uma nova fase [com o desenvolvimento autônomo por IAs]”, concluiu. * O jornalista está em Chicago a convite da Nutanix.

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