Ao longo dos últimos anos, os provedores de serviços de internet (ISPs) assumiram um papel estratégico no avanço de tecnologias que moldam o consumo digital, como a inteligência artificial (IA), streaming de vídeo e jogos online. No Brasil, esse movimento ganha ainda mais relevância com a força dos provedores regionais, que já concentram e distribuem mais de 56% das conexões de banda larga fixa, segundo dados recentes da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).
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Para Jander César Albuquerque Faria, especialista em infraestrutura de redes e conectividade, com mais de 25 anos de atuação no setor, esse crescimento vai além da ampliação do acesso e da necessidade de entregar velocidade. “Aplicações baseadas em IA, plataformas de streaming e jogos online exigem redes robustas do ISP, com alta capacidade de tráfego, estabilidade e baixa latência, sendo necessário o planejamento de rede, monitoramento constante e inteligência operacional”, afirma.
Da mesma forma, a inteligência artificial já integra a operação das redes ao auxiliar provedores na previsão de picos de tráfego, detectar falhas automaticamente e otimizar a distribuição de banda. Segundo Faria, esse avanço é essencial para sustentar serviços sensíveis a qualquer instabilidade, visto que sem automação e análise preditiva, não é possível manter qualidade em transmissões e aplicações corporativas em nuvem.
Já no campo do streaming e dos games, o especialista destaca que a pressão sobre os ISPs cresce à medida que o consumo se torna mais intenso e simultâneo. “Jogos em nuvem e transmissões ao vivo demandam respostas quase instantâneas da rede. Em muitos casos, milissegundos definem a experiência do usuário. Por isso, investimentos em roteamento inteligente, parcerias com CDNs e infraestrutura de fibra óptica são decisivos”, pontua.
Porém, mesmo com esse papel crescente e de destaque, os ISPs ainda enfrentam desafios técnicos e econômicos. O especialista ressalta que a adoção de tecnologias avançadas, como IA integrada, demanda investimentos e profissionais qualificados. Essa necessidade pode se tornar ainda mais crucial com a chegada de padrões como Wi-Fi 7, maior uso de edge computing e a expansão de dispositivos conectados em casas inteligentes.
“Hoje, a competição é por quem entrega a melhor experiência digital e de forma completa, incluindo jogos, vídeos, atendimento ao cliente e soluções de segurança. Os provedores que se adequam a essa realidade têm mais chances de se destacarem no presente (e futuro) da conectividade”, conclui Jander César Albuquerque Faria.
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