Finalizada no final de maio, a quarta fase de implementação do open banking vai além dos serviços bancários e alcança outras empresas do setor financeiro, como as seguradoras. A ideia é aumentar o compartilhamento de informações para que a competição também atinja áreas que bancos costumam dominar, como é a dos seguros, conforme explica Yoshimiti Matsusaki, CEO da Finnet.
Agora, os consumidores podem compartilhar informações mais complexas, como investimentos, seguros, previdência privada e operações de câmbios. Assim, abre-se oportunidade de obter condições melhores de produtos e serviços.
A Finnet, que é uma empresa que nasceu da necessidade de conectar as bases de dados de instituições bancárias, também está de olho nisso. Matsusaki conta o que se espera de inovação e o que a Finnet tem preparado para aproveitar a abertura dos dados dos clientes do setor financeiro. Confira.

Yoshimiti Matsusaki, CEO da Finnet (foto: divulgação).
Portal IPNews: A Finnet está muito ligada ao setor financeiro. Como a empresa começou?
Yoshimiti Matsusaki: A Finnet nasceu em um primeiro momento para conectar as redes dos bancos com as empresas. Esses dois públicos precisam se comunicar entre si, pois as empresas realizam diversas operações diárias junto às instituições financeiras. A Finnet foi criada com o objetivo de ser um suíte para essa conexão, concentrando todo o fluxo de dados. Uma conexão direta com os bancos é necessária para suportar a criticidade dos dados de transações financeiras, que formam um volume de dados muito grande para uma conexão via internet pública, sendo necessária uma rede dedicada para essa operação.
Inicialmente, a gente começou muito fortemente no conceito de telecomunicação mesmo. Mas a gente percebeu que ao invés de só dar a possibilidade de conectividade para as empresas, poderíamos dar acesso aos dados efetivos que cada banco tinha para automatização dessas operações financeiras e atuar de forma estratégica na interface de gestão financeira. Conectamos a camada de aplicação de cada banco para entregar soluções que possam integrar os dados de diferentes bancos utilizados por uma empresa, por exemplo. De uma forma mais tradicional e conservadora, a gente já fazia algo parecido com o open banking, só que não pelos padrões hoje criados pelo Banco Central.
E qual a necessidade do Open Banking?
Eu faço um paralelo que é como se o Banco Central criasse uma pista para que haja a concorrência no mercado financeiro. Então quando ele começa a criar condições que facilitem a troca de informações, de compartilhamento de cadastros, de valores de tarifas, ele cria uma plataforma única de pagamentos (Pix). Ele queria mecanismos para puxar os dados e, com isso, consegue quebrar o que se chama de assimetria de informação.
Isso traz mais oportunidades para o cliente?
Sim. Por exemplo, eu sou um banco e sei que você é um bom pagador e que tem um volume bem alto de investimentos. Se outro banco quiser abordá-lo, ele não iria saber do seu histórico, porque eu concentro seus dados. No entanto, as suas informações pertencem a você, que tem o direito de compartilhá-las. A partir daí, (com o open banking) outros bancos podem fazer ofertas para você que sejam mais atraentes do que as que eu faço, com tarifas menores, permitindo uma competição.
A quarta fase do Open Banking foi dividida em duas. Você pode explicar por que foi feito assim?
As fases anteriores mostraram que foram montadas de forma muito macro. Conforme rodou a primeira fase e começou a entrar a segunda, o Banco Central percebeu que não conseguia atender todo o enunciado daquela fase. Tinha que quebrar em subgrupos. Então, a segunda fase, muito representada pela entrada do Pix, precisou apresentar melhor a solução e eles decidiram quebrar em fases menores. Teve o cadastro das chaves e só depois o Pix começou a ser utilizado em pessoas, para depois ir expandindo suas funcionalidades.
Na quarta fase, os dados começam a ir para outras empresas do setor financeiro…
Sim. A quarta fase já deixa de ser tanto um serviço só do banco e começa a falar de outras coisas que envolvem o processo financeiro, mas por trás está outros elementos. Então entram previdência, operações de câmbio, e etc. Mas mesmo nesse processo o Banco Central agrupou para organizar o trabalho.
Você pode me explicar o que foi permitido nessa nova fase?
Você começa a abrir as informações para outros mercados, onde os bancos também estão envolvidos. O setor de seguros, por exemplo, você começa a ter o open insurance, que é o compartilhamento de informações sobre o cliente de seguros. Capitalização e previdência (outras áreas atingidas pela quarta fase do open banking) também entram. Esse movimento também abre competição em outros mercados fora o bancário.
Mas também atinge empresas que não são bancos, não?
Você abre os dados para que empresas de seguros menores, que não são grandes como Bradesco Seguros ou Itaú Seguros, possam ganhar mercado, além de novas empresas atuando no setor de seguros.
Você enxerga algum tipo de inovação que pode surgir a partir da abertura desses dados?
Com certeza. Na parte de seguros, o que acontece em alguns países é a contratação de seguros instantâneos. Por exemplo, a pessoa vai fazer uma viagem e, no momento do embarque, ela pode contratar um seguro dinamicamente para essa situação. Chamamos isso de microsseguros, porque nosso modelo atual de seguro é muito abrangente e longo. Então, a tendência é que haja a possibilidade de uma contratação mais ágil de seguros de menor duração e de menor montante – como um seguro só para o pet.
Em outras áreas também podem ter inovações no modelo de negócio?
A previdência privada é um caso típico, que historicamente leva um processo de 20 a 30 anos. Só que existe uma taxa de carregamento da previdência que é muito diferente de bancos para bancos. A ideia é que o cliente possa trocar de banco conforme encontre taxas de carregamento mais interessantes, já que ele é o detentor da previdência. Hoje, não existe essa dinâmica tecnológica para que isso aconteça.
O que a Finnet tem preparado para o mercado corporativo, já aproveitando as oportunidades abertas pelo open banking?
Pegando como exemplo uma empresa conectada a cinco bancos e que precisa fazer uma alteração de registro de cobrança. Ela tem lá 10 mil boletos a serem enviados, então quando ela vai fazer o registro desses boletos de cobrança, ela pode negociar o preço com diversos bancos ao mesmo tempo pela nossa plataforma. O que for mais em conta, ela aceita.
Estamos olhando o open banking como sendo uma grande oportunidade porque muitas informações que hoje nós acessamos, temos dificuldade para chegar. Com o open banking, a gente vai conseguir fazer isso com muito mais agilidade e facilidade.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e Twitter.

