Até poucos anos restritas aos salões do automóvel espalhados pelo mundo, as montadoras de veículos começaram a marcar presença cada vez maior na CES, principal feira de tecnologia do mundo, realizada em Las Vegas, nos Estados Unidos. Na edição deste ano, a Audi e a BMW resolveram utilizar a realidade virtual para mostrar como será o futuro na direção dos carros.
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No caso da Audi, ela preparou a aplicação para os passageiros do banco traseiro, que poderão experimentar filmes, videogames e conteúdo interativo de forma ainda mais realista com o uso de óculos de realidade virtual. A marca apresenta uma tecnologia que adapta o conteúdo virtual aos movimentos de um veículo em tempo real: se o carro virar à direita, a espaçonave na experiência faz o mesmo.
Tudo faz parte do jogo “The Avengers: Rocket’s Rescue Run”, baseado nos personagens da franquia Marvel e criado em parceria com a empresa de games da Disney. Usando óculos de RV, o passageiro do Audi e-tron é transportado para uma representação fantástica do espaço sideral: o veículo se transforma em uma espaçonave tripulada pelos Guardiões da Galáxia, enquanto o passageiro atravessa um campo de asteróides ao lado de Rocket. Cada movimento do carro é refletido na experiência em tempo real. Se o carro virar em uma esquina apertada, o jogador se curva em torno de uma outra nave espacial. Se o Audi e-tron acelera, a aeronave faz o mesmo.
A aplicação faz parte de uma estratégia da Audi que, a partir de sua subsidiária Audi Electronics Venture GmbH, fundou a startup holoride GmbH, que vai comercializar esta nova forma de entretenimento por meio de uma plataforma aberta, disponibilizada a todos os fabricantes de automóveis e desenvolvedores de conteúdo no futuro. A intenção é que desenvolvedores criem de jogos a viagens educativas por cidades históricas ou mesmo corrente sanguínea humana.
A holoride pretende lançar a nova forma de entretenimento ao mercado nos próximos três anos com o uso de óculos de realidade virtual padrão. No longo prazo, a expansão contínua também pode transformar rotinas do trânsito parte da experiência: parar em semáforos pode trazer obstáculos inesperados a um jogo ou interromper um programa de aprendizado com um teste rápido.
BMW apresenta a experiência autônoma
Já a BMW resolveu mostrar como será a experiência do motorista quando os carros autônomos se tornarem realidade. A experiência imersiva imagina o passeio durante o ano de 2025, em uma megacidade futurista como paisagem. Logo no início, o Assistente Pessoal Inteligente da BMW sugere a agenda para o dia e planeja o percurso. Por meio de óculos de realidade virtual, o condutor mergulhará nesse mundo virtual — inicialmente no comando do veículo, e em seguida o deixando o veículo assumir no modo autônomo, momento em que o volante e o pedal desaparecem, ampliando o espaço na cabine. A partir daí a interação maior é com o assistente pessoal, que faz sugestões e controla vários serviços digitais para o motorista, desde realizar uma videoconferência até fazer compras e compartilhar documentos.
Esses dois modos de condução são chamados “Boost” e “Ease”. No primeiro, o motorista assume o controle ao volante e desfruta da experiência de condução a bordo de um modelo elétrico e livre de emissões. No segundo, o modo autônomo entra em cena e a cabine se transforma em um espaço de convivência, interação e produtividade.
A aplicação que torna a experiência possível é o BMW Vision iNEXT, com produção em série prevista para 2021. Ela se centra no Assistente Pessoal Inteligente, que constitui o elemento central de interação entre o motorista, o veículo e o mundo digital. Ele aprende a rotina e os hábitos do motorista, organizando de antemão as suas tarefas e fazendo sugestões a partir de uma ampla variedade de serviços digitais.
A montadora também apresenta sua estratégia para carros elétricos, através dos conceitos BMW Digital Charging e BMW ChargeForward. O primeiro indica aos condutores as horas mais favoráveis para recarregar os veículos, dependendo da rota escolhida e das tarifas vigentes. Já o segundo trata-se de um projeto piloto envolvendo 300 motoristas de São Francisco, na Califórnia (EUA), que explora a relação entre a rede elétrica, veículos elétricos plug-in e fontes de energia renovável, buscando a maximização do uso de eletricidade de recursos renováveis para carregar carros elétricos.

