No fim do ano passado, Satya Nadella, CEO da Microsoft, participou de um podcast dos Estados Unidos, o Bg2 Pod, e afirmou que o modelo tradicional de entrega de software tem os dias contados. Já no Web Summit Rio, realizado no final de abril no Rio de Janeiro, Mohannad El-Barachi, CEO da startup canadense Wrk, foi ainda mais dramático: “O modelo SaaS morreu. Já é tarde demais”.
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Apesar da fala fúnebre de El-Barachi, o SaaS na forma atual não tende a acabar, mas se reinventar, na opinião de fornecedores de software. Assim, a customização, a eficiência de custos e a ascensão de modelos como AI-as-a-Service e open source estão redesenhando o futuro do software.
“O SaaS não morreu, mas seu modelo tradicional está em xeque”, afirmou Fred Amaral, CEO e fundador da Lerian, que desenvolve software open source para infraestrutura financeira. “O que era visto como vantagem — conveniência e escalabilidade padronizada — hoje revela custos ocultos, dependência e falta de flexibilidade. Empresas perceberam que SaaS genérico não substitui soluções sob medida, especialmente em setores onde cada porcentagem de margem ou integração profunda faz diferença.”
O futuro é o ajuste do custo e a customização com IA
Para Thomas Buettner, cofundador da Paggo, no modelo tradicional de SaaS – em que a cobrança se dá por usuário – prezar pela eficiência do cliente vai contra o modelo de negócios: quanto mais produtividade o software trouxer, menos receita ele terá. Por isso, ele defende que o futuro pertence a soluções customizadas, que se beneficiam de inteligência artificial, e que são precificadas com base no resultado gerado para o cliente.
Já Fabio Santos, CEO da LaunchPad Digital, holding de tecnologia que desenvolve soluções SaaS com IA para marketing digital, o mercado passa por muitas mudanças, mas não significa necessariamente a morte do modelo como um todo. “O modelo tradicional de SaaS — aquele engessado, genérico e dependente demais de onboarding manual — esse sim, morreu”, explica.
“O que está surgindo no lugar é algo muito mais poderoso: o AI-as-a-Service. Estamos entrando na era dos ‘SaaS agentificados’ — onde plataformas integram LLMs, agentes autônomos e IA generativa para aprender com o usuário, executar tarefas, otimizar resultados e entregar experiências personalizadas em tempo real. Não é só sobre software na nuvem, mas inteligência na nuvem”, finaliza.
Ou seja, se há um consenso entre os especialistas, é este: a era do SaaS genérico e engessado acabou. O que vem pela frente será moldado por três vetores — customização, inteligência artificial e modelos de preço alinhados ao valor entregue.
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