Nacional

Operadoras apostam aplicativos ‘como serviço’ para ampliar receita

Acesso ao Facebook, biblioteca virtual e serviços de transportes público estão entre os principais.

Após anos de disputa pelo aumento da base de clientes, as operadoras de telefonia móvel estão apostando no uso de aplicativos para ampliar a penetração da Internet móvel, aumentar a receita com serviços e fidelizar clientes no Brasil.

Download de apps cresce 60% em relação a 2012

A oferta de serviços inclui desde navegação grátis no Facebook até o acesso a aplicativos mais específicos, que ajudam o cliente a declarar o Imposto de Renda e mostram rotas de ônibus e metrô.

A Telefônica Vivo, por exemplo, firmou uma parceria com a Abril Educação, em fereveiro, para uma série de aplicativos educativos, incluindo preparatórios para o Enem e tutoriais para declaração do IR. Esses serviços estão disponíveis para planos pré, pós-pagos e para os que não têm smartphone.

A operadora também tem apostado no app ‘Nuvem de Livros’, uma biblioteca virtual criada em parceria com a Gol Editora, que conta com 1 milhão de assinantes, e também pode ser acessado pelo computador. “Queremos fidelizar nossos clientes para que o relacionamento com a Vivo não seja só pela conexão”, disse Alexandre Fernandes, diretor de Serviço de Valor Agregado e Inovação da operadora.

A TIM, que está se concentrando nos smartphones e fez parceria recente com a israelense Moovit, para a oferta de um aplicativo que mostra rotas de ônibus e de metrô nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Campinas.

“Acreditamos que os aplicativos que envolvem colaboração entre os usuários vão ter forte crescimento com o aumento da penetração da Internet móvel”, disse o diretor de Serviço de Internet de Valor Agregado e Handsets da TIM Brasil, Fábio Cristilli, à Reuters, contando que a operadora tem projetos-piloto com outras duas desenvolvedoras de aplicativos.

Facebook

Após anos crescimento das vendas de chips, as operadoras tem promovido uma limpeza de sua base de clientes, para excluir as linhas não utilizadas e explorar oportunidades de gerar mais receita por cliente. As prestadoras têm apostado no acesso às redes sociais. No início de agosto, a Claro fez parceria com o Facebook para acesso grátis à rede social, sem desconto nos créditos ou no pacote de dados.

“As empresas agora estão realizando uma limpeza de base mais apurada. (…) Estão sendo mais cuidadosas, porque é um custo para a empresa manter um cliente que não gera receita na base”, disse o analista da CGD Securities, Alex Pardellas.

A iniciativa veio após os resultados de uma pesquisa contratada pela própria empresa mostrando que 70% dos brasileiros compraram seu primeiro smartphone há menos de seis meses e o Facebook é o aplicativo mais utilizado. Dos 76 milhões usuários do Facebook no Brasil, 44 milhões acessam a rede no celular.

A Claro disse estar estudando firmar outras parcerias semelhantes, dentro de sua estratégia de focar mais nos serviços de dados.

O Facebook também tem parcerias com Vivo e TIM, de forma mais restrita. Em janeiro, a TIM fechou acordo para oferecer acesso grátis à rede social até 2014 para os clientes que adquirirem seu modem de Internet móvel para laptops. A Vivo permite que usuários de celulares mais simples recebam publicações do Facebook via SMS. O serviço é cobrado a partir de cinco notificações ou mensagens por semana.

O movimento coincide com o aumento da base de smartphones. Na TIM, eles representam atualmente 22% dos 72,6 milhões celulares ativos, participação que deve aumentar, pois hoje os aparelhos representam 60% das vendas de celulares.

Para a Vivo, a estratégia de parceria com desenvolvedores de aplicativos tem que envolver todos os tipos de celulares. “Temos que atender todos os clientes, porque no Brasil ainda é a minoria que tem smartphone”, disse Fernandes. Da base de 76,6 milhões de celulares da Vivo, 42% são smartphones.

Segundo Fernandes, a oferta de aplicativos tem ajudado a Vivo a ampliar as receitas com serviços, que incluem acesso à caixa postal e som de chamadas. No primeiro semestre, essas receitas alcançaram 524 milhões de reais, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já as receitas com serviços da TIM subiram 25,3% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 1,29 bilhão.

*Com informações Agências

Newsletter

Inscreva-se para receber nossa newsletter semanal
com as principais notícias em primeira mão.