Telcos entendem os benefícios da tecnologia, próximo passo é implantá-la sem perder a infraestrutura legada.
A Futurecom começou hoje (17/10) e seu primeiro painel abordou as estratégias de adoção de redes definidas por software (SDN) e virtualização das funções da rede (NFV) por operadoras. Durante a discussão, que também contou com os fornecedores da tecnologia, três das principais telcos do país mostraram suas visões sobre a virtualização e como planejam incorporá-las às suas corporações.
Ao contrário do que se discutia no ano passado no mesmo evento, quando as operadoras discutiam as vantagens do SDN e o NFV, hoje elas entendem os benefícios da tecnologia, mas o desafio enfrentado é como aproveitar a infraestrutura legada que possuem. “Essa infra não pode ser trocada de uma hora para outra”, lembra Hector Silva, CTO da Ciena para Caribe e América Latina.
Para a o diretor de Redes Móveis da TIM, Marco Di Constanzo, a vantagem que a virtualização traz é a rapidez com que novos serviços poderão ser desenvolvidos. Segundo ele, a operadora ainda está na fase de planejamento de como realizar a transição. “Nosso objetivo é reduzir o TCO para um terço em três anos, pois sem isso nenhuma telco poderá competir com OTTs”, afirma.
Orange e Vodafone traçam planos SDN e NFV para clientes corporativos
A Oi também planeja implantar as tecnologias de virtualização, conforme diz Mauro Fukuda, diretor de Tecnologias e Plataformas da Oi. “O NFV e o SDN deixaram de ser uma suposição para se tornarem realidade.” Segundo ele, o SDN vai ser um agente de mudança da rede, facilitando a gestão e melhorando a qualidade do serviço para o usuário, enquanto o NFV barateia o custo da rede. “A dúvida é quando e como implantá-la”, afirma, ao mostrar que a operadora ainda se encontra em fase de planejamento.
Do lado da Vivo, Werner Weller, diretor de Engenharia da operadora, aponta que a virtualização é uma jornada onde o último passo é a virtualização dos dados. A “briga” da operadora agora é por uma padronização por parte dos fornecedores de tecnologia, destacado por ele como essencial para ser possível trabalhar com virtualização.
Os fornecedores enxergam essa necessidade, diz Renata Marques, engenheira de Redes da Dell EMC. De acordo com ela, a companhia já vem trabalhando com operadoras para a implantação do NFV, trabalhando em soluções de processamento que podem ser VMware ou OpenStack. “Essa possibilidade permite que a telco escolha qual tecnologia prefere, podendo manter a já utilizada e não precise mudar o seu padrão”, diz.
Já o desafio de integração da infraestrutura das operadoras pode ser resolvido a partir da orquestração feita por software, segundo Hector Silva, da Ciena. “O software vai gerir cada parte da rede, seja virtualizada ou não, desobrigando a operadora a ter um técnico especializado em cada área para operá-la”, explica.
Ciena mostra os benefícios do NFV e SDN para operadoras
Dessa forma, ele acredita que as telcos poderão utilizar toda as vantagens já conhecidas da virtualização, inclusive a aceleração de lançamentos de novos produtos, sem perder o tempo de marketing.

