Com grande parte do alto escalão da telefonia e infra-estrutura no debate, espaço São Paulo ficou pequeno diante tanto interesse do empresariado.
O auditório São Paulo na manhã dessa quarta-feira (29) da Futurecom 2008 foi, com certeza, o mais concorrido desde o começo da feira. A organização do evento, a pedido do Corpo de Bombeiros, teve de realocar uma centena de pessoas que não conseguiu entrar no saguão onde acontecia o Painel "Desafios da competição em um mundo convergente" para o auditório Brasil, onde um telão fazia a transmissão da discussão de forma simultânea. Presentes no painel mediado pelo jornalista Ricardo Boeachat (TV Band e Band News FM), estavam João Cox Neto (Claro); Enrique Ussher (Motorola); Luiz Eduardo de Falco (Oi); Roberto Lima (Vivo); João Pedro de Lima (Huawei); Marco Aurélio Rodrigues (Qualcomm); José Roberto Campos (Samsung); Pedro Santos Ripper (Cisco) e Silvio Genesini (Oracle).
João Cox Neto, presidente da Oi, começou traçando um importante paralelo entre convergência e conveniência. "Isso tem que ser separado. O mundo escolheu o celular para ser a ferramenta que irá lidar com a conveniência da convergência", disse. Pedro Ripper, da Cisco, comentou que "as definições de convergência variam. O mercado hoje é muito dinâmico", e fez uma aposta para o futuro: "O detentor da rede não será mais o fornecedor de serviço. Creio que isso seja uma nova onda que esteja para chegar. Podemos ter aqui no evento, no ano que vem, empresas que nunca investiram US$ 1 sequer em rede e serão tão importantes quanto nós".
Falco, presidente da Oi, disse que o grande problema para trazer de vez a convergência da forma ideal, são as redes. "Nós ainda não temos a rede apropriada para isso. Temos uma rede estreita, de voz, que usamos também para passar dados. O grande desafio do mercado é conseguir implementar essa rede. O País é grande demais territorialmente, e isso tem um custo bastante alto", afirmou. Para José Roberto Campos, da Samsung, o primordial para o sucesso da convergência é o aparelho celular. "É preciso simplificar esses terminais. Temos que saber como o usuário vai utilizá-lo, ampliar portifólio, fazer com que a precificação seja bem feita", comentou. Campos acrescentou que a TV Digital está demorando para emplacar mas, em breve, se tornará de extrema importância. "Acredito que pelo perfil do brasileiro, em pouco tempo a TV digital no celular se transformará em algo tão indispensável para esse consumidor quanto o rádio FM", concluiu. Marco Rodrigues, da Qualcomm, concorda: "O celular nasceu para ser um triple-play. Já dizem até que apenas 15% das pessoas utilizam o celular basicamente para telefonar", completou o executivo. Na sua opinião, uma boa estratégia a ser adotada para amplificar a difusão do 3G é financiar aparelhos. "Na Europa e Estados Unidos, grandes operadoras de telefonia como Vodafone, Telefonica, AT&T, vendem seus aparelhos financiados em 24 vezes. Isso faz com que a tecnologia seja mais facilmente inserida", concluiu.

