VoIP

Para a Yankee Group, modelo de negócio 3G adotado no Brasil é insustentável

Segundo o consultor Júlio Püschel, questões como a geração de receita e manutenção de um crescimento sustentável são questões recorrentes desde que houve a inversão da curva de crescimento dos serviços de transmissão de dados e voz.

Para o gerente de consultoria da Yankee Group na América Latina, Júlio Püschel, até 2013 haverá um aumento aproximado de 15% no lucro com os serviços de voz para a telefonia móvel e redução de dois por cento para a fixa. Também, após esse período de crescimento, ele estipula que a mesma receita proveniente dos celulares começará a diminuir nos anos seguintes.

Outro ponto levantado pelo consultor é que, apesar do serviço de dados apresentar um crescimento expressivo, no Brasil, o mercado 3G ainda é visto como uma alternativa para as operadoras móveis, e não como um complemento de serviço. “O País deveria se basear ao modelo de negócios do Chile, que oferece as tecnologias com o mesmo nível e isso torna maior a competitividade que relação ao preço, onde o usuário sai beneficiado”, diz.

“Em 2013, a receita de dados vai representar apenas 30% da receita total. Ambas, operadoras móveis e fixas, ainda vão contar com a voz como principal fonte de receitas”, enfatiza o executivo da Yankee Group.

Püschel diz que o modelo de competição que gera receita no Brasil com banda larga é bastante diferente em relação a outros países com planos de transferência de dados avançados. Por aqui, segundo ele, a velocidade da taxa de transferência é considerado o produto mais importante na hora de oferecer os serviços, enquanto que, como nos EUA, a oferta de serviços subsidiados (advertising) é mais relevante.

Por outro lado, os modelos de negócios flat-fee estão reduzindo o potencial de receita com a banda larga. “Ele não é sustentável porque o crescimento da base assinantes de alta taxas de internet móvel poderá aumentar rapidamente a receita das operadoras”.

Uma pesquisa mundial realizada pela Yankee com as operadoras indica que na Europa e América Latina o flat-fee não é considerado como um modelo de negócio sustentável. Porém, na Ásia-Pacífica e América do Norte mais da metade considera favorável.

Júlio Püsche acredita que o modelo de negócio que a Google realiza (advertising) será usado pela operadoras. Para ele, as companhias devem usar suas redes como diferencial na oferta de serviços. “Só as operadoras sabem como seus clientes navegam na internet e, com essa informação, elas devem realizar um serviço customizado para cada tipo de acesso, além de uma cobrança diferenciada – por uso. Isso gera mais receita”.

O consultor também enfatiza na prioridade de aproveitamento dos novos modelos emergentes de negócios, que poderão ser alternativas no aumento da receita. Como exemplo, ele cita o Amazon Kindle, que para baixar um livro é necessário dos serviços de uma operadora. “Elas têm um papel importante para integrar os serviços disponíveis na internet. Dá para fechar negócios de 50% para cada (desenvolvedora e operadora) com o lucro da venda”, diz.

Por aqui, no mercado de linha secundária e pré-pago ainda existe o conceito de que não gera renda. No entanto, a tendência é que o número de usuários de uma única linha cairá quatro por cento a cada ano, a partir de 2013.

De acordo com a pesquisa da Yankee, 65% dos usuários pré não possuem acesso à internet móvel, tendo em vista que em 2013 a base desses planos chegará a 80%, provenientes de linhas secundárias.

Conforme avalia Püsche, como o lucro pela venda de celular começou a estagnar no País, onde o número de aparelhos por 100 habitantes está na faixa dos 98%, a receita com o plano 3G para os pré-pagos será bem maior que para o pós, devido a quantidade superior de usuários e o aumento de aquisição de linhas secundárias com esses planos.

“Hoje, a internet não é só para o acesso, é serviço de transferência de dados. O celular é um produto de inclusão digital. Contudo, para disponibilizar esses serviços, as operadoras devem mudar seu conceito, porque a base de renda com os serviços de valor agregado (VAS) para esses clientes já é mais expressiva”, avalia.

O relatório da Yankee conclui que a banda larga é a alternativa para diminuir o prejuízo nas receitas referentes aos serviços de voz. Porém, as operadores precisam evoluir o seu modelo de negócio de taxa fixa e dar mais atenção ao mercado de pré-pagos, como é o caso de oferecer aos assinantes promoções de recargas diferenciadas.

No relatório também consta que a aquisição da solução 3G cresce rapidamente na América Latina e que o problema de espaço em banda não é a resposta para que as operadoras mantenham o valor alto pelos serviços. A quantidade exata oferecida vai depender de fatores múltiplos, que variam de acordo com a localização do usuário e suas preferências. “Para sair do modelo flat-fee, todas as operadoras precisam ir além de prover a rede”, diz Püsche.

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