O Panorama da Liderança Tech no Brasil 2023/2024, realizado pela edtech Strides Tech Community e a aceleradora Endeavor, entrevistou mais de um mil líderes do setor de tecnologia para saber o impacto do trabalho remoto nas empresas. Como resultado, o modelo híbrido parece ser o mais funcional para o bem-estar dos trabalhadores e a produtividade das empresas.
Quase metade das lideranças tech entrevistadas (47%) adotaram o trabalho 100% remoto. Entre os líderes que trabalham em regime totalmente presencial, 44% são de empresas tradicionais. Já quem trabalha no modelo totalmente remoto, 41,38% são funcionários de startups, o que pode sinalizar antagonismo dos modelos de trabalho entre estes tipos de empresas e uma tendência.
Interessante observar que o regime híbrido, com pelo menos um encontro presencial na empresa, foi adotado em sua maioria pelas empresas tradicionais. Isso pode demonstrar uma maior preocupação de algumas destas empresas em fornecer um modelo alternativo mais flexível ao modelo tradicional de trabalho, como política de retenção e benefícios.
Profissionais em regime híbrido, com um ou dois encontros presenciais por semana, demonstraram alto índice de realização profissional, com 9 em cada 10 líderes se sentindo realizados ao final do dia. Este dado é importante, principalmente por este índice de realização no trabalho ser maior no modelo de trabalho híbrido com um ou dois encontros presenciais por semana do que no 100% presencial (55%) ou no 100% remoto (64%).
Aprofundando os motivadores com a Comunidade, entende-se que o relacionamento presencial com outras pessoas no trabalho é um forte elemento para elevar a realização das lideranças, que em um regime 100% remoto passam muitos períodos de tempo sozinhas e sem sair de casa. Ao mesmo tempo, a possibilidade de ir apenas uma ou duas vezes ao escritório parece manter um equilíbrio maior entre momentos de mais interação, com momentos de mais concentração, evitando também deslocamentos desnecessários.
Mais felicidade para a liderança
A pesquisa constatou que líderes em regime totalmente remoto demonstraram maior felicidade no trabalho (64%) em comparação com aqueles em regime totalmente presencial (55%). Isso tem reflexos também na vontade de permanecer ou não na empresa. Mais da metade dos líderes em regime híbrido (tanto 1 a 2 vezes quanto de 3 a 4 vezes na semana) não estão propensos a trocar de empresa no curto prazo.
Enquanto isso, nos regimes totalmente presencial ou totalmente remoto já existe uma preocupação maior em poder trocar de empresa no curto prazo, principalmente em função da cultura da empresa, e em segundo lugar por questões financeiras.
O estudo também mostra que as empresas de consultoria e as de software são onde há os maiores índices de felicidade no trabalho. Sendo 83,33% dos profissionais de empresas de software afirmaram estarem felizes no trabalho e nas empresas de consultoria este índice chega a 100%. No extremo oposto, ficam os E-Commerces (68,75%), as empresas tradicionais (67,86%) e startups (65,38%). Bigtechs (76,19%) ficam no meio do caminho.
No entanto, o modelo híbrido também impõe desafios. Conforme o regime de trabalho se torna mais flexível, o tempo de dedicação previsto tende a ser insuficiente para realizar as tarefas, devido a fatores como excesso de reuniões, pedidos de trabalho não planejados e sobrecarga de trabalho.
Participe das comunidades IPNews no Instagram, Facebook, LinkedIn e Twitter.

