Estudo mostra que os consumidores ficam inadimplentes em mais de um meio de pagamento.
A Boa Vista Serviços, administradora do SCPC, realizou pesquisa sobre o perfil do inadimplente junto a consumidores que procuram o balcão de atendimento do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). A pesquisa traça o perfil do inadimplente observando as causas da inadimplência, as formas de pagamento utilizadas, a intenção de pagamento e o nível de endividamento
A pesquisa mostrou que os consumidores ficam inadimplentes em mais de um meio de pagamento. Os entrevistados citam na média 1,4 meios de pagamento causando as restrições. Segundo o estudo, 41% das pessoas declaram ter alguma restrição gerada por uma compra realizada com cartão de crédito. Em seguida temos carnês, 29,9%, seguidos por empréstimo pessoal (21,3%), cheques sem fundo (20,1%) cheque especial (11,2%) e cartões de loja (9,5%).
Nas faixas de renda familiar até três salários mínimos a porcentagem de consumidores que declaram o cartão de crédito como causador da restrição atinge 44,7% e cai para 30,1% nas faixas acima de 10 salários mínimos. Enquanto para as faixas até 10 mínimos os carnês/boletos vêm em segundo lugar nas causas da restrição, para as faixas acima de 10 mínimos o cheque sem fundo é o segundo maior causador das restrições (27,4%).
Os entrevistados citam na média a compra de 1,4 produtos ou serviços como causadores da dívida. Para 25,6% das pessoas entrevistadas uma das dívidas não pagas originou-se das compras produtos relacionados com alimentação, 23,1% citam a compra de calçados e vestuário e 21,9% a compra de móveis e eletrodomésticos. 17,5% citam outros bens e para 16,6% as dívidas foram originadas do não pagamento de contas de concessionários de serviços públicos. Nas faixas de renda acima de 10 salários mínimos a aquisição de outros bens (17,8%) e a compra de material de construção (17,8%) lideram as citações.
O desemprego continua sendo a maior causa da inadimplência, representando 32,3% dos casos, mas o descontrole dos gastos subiu bastante em relação à última pesquisa e hoje praticamente empata com o desemprego, com 29,8% das citações. O empréstimo do nome é a terceira maior causa, caindo de 9,4% (março 2012) para 6,9% das observações. O desemprego é a causa mais preponderante nas faixas de renda familiar até três salários mínimos (39,7%). Para as faixas acima de 10 salários o descontrole financeiro aparece como a principal causa (45,2%).
Quase a metade (48,7%) dos inadimplentes declara possuir uma conta em atraso que causou a restrição. 31,7% declara possuir entre duas e três contas e 19% possuem quatro contas ou mais. Quanto a valores das dívidas não pagas, 29,4% estão abaixo dos R$ 500; 17,1% declaram que tem débito de R$ 5 mil, já 16,6% entre R$ 1mil e R$ 2 mil; e 16,3% entre R$ 500 e R$ 5 mil.
Condições de pagamento e endividamento
10% dos inadimplentes declaram que não terão condições de pagar suas contas em atraso. Dos outros 90% dos consumidores que possuem restrição e espera ter condições de pagar a dívida, total ou parcialmente, 32,1% deles pretende pagar à vista e 67,5% de maneira parcelada. Destes que esperam negociar as parcelas, 60,9% pretendem pagar dentro dos próximos 30 dias, 26,9% entre 30 e 90 dias, 7,3% entre 90 e 180 dias e 4,9% negociaram prazos superiores a 180 dias.
A pesquisa também aponta que o nível de endividamento compromete a renda familiar: 25,4% dos entrevistados declararam estar muito endividados (em março de 2012 era 22,2%), 30,8% acreditam estar mais ou menos endividados e 32,2% se declaram pouco endividados.
Quanto à parcela da renda comprometida com dívidas (somando todas as suas dívidas, com restrição ou não), 27% declaram que mais da metade da renda familiar mensal está comprometida com o pagamento de dívidas. Esse número era de 23,7% em março de 2012. 33,6% declaram que até 1/4 da renda está comprometida com o pagamento de dívidas e 39,4% declara ter entre um quarto e metade da renda familiar comprometida.
A pesquisa também apontou que as dívidas de hoje aumentaram em relação ao ano anterior. 38,4% declararam que houve aumento (em março era 29,7%). Para 33,8% houve diminuição (contra 33,3% em setembro de 2011). Para 27,8%, continuaram iguais (percentual era de 37,1%).
A porcentagem dos inadimplentes que acreditam que a situação financeira estará melhor no próximo ano diminuiu. Em março eram 82,1% que acreditavam que a situação estará melhor no próximo ano; atualmente o índice é de 73,3%.

