O acúmulo de estoques contribuiu para impulsionar o crescimento do PIB, que seria 0,8% maior.
De acordo com a pesquisa do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no segundo trimestre do ano, o PIB a preços de mercado brasileiro foi 8,8% superior ao do mesmo período de 2009, avançando 1,2% sobre o 1 º trimestre na série livre de influências sazonais.
Apesar de superior ao estimado, o resultado confirmou o diagnóstico de desaceleração na margem da atividade econômica brasileira, já que o PIB vinha de uma sequência de taxas de crescimento bem mais fortes (+2,2% no 3T09; +2,4% no 4T09 e + 2,7% no 1T10). O ritmo de crescimento se aproximou daquele que a consultoria econômica LCA, estimava como sendo o potencial da economia brasileira, entre +1,1% e +1,2% por trimestre.
Sob a demanda, o Consumo das Famílias avançou apenas 0,8% no trimestre passado (abaixo da estimativa de 1,2% da LCA), o que configurou o quarto trimestre consecutivo de desaceleração na margem (+3,1% no 2T09; +2,5% no 3T09; +1,9% no 4T09 e +1,4% no 1T10).
O Consumo do Governo, por sua vez, ao avançar 2,1% do 1T10 para o 2T10, surpreendeu (a LCA estimava alta de 1,1%). Foi a maior expansão num trimestre desde o 1T09 (+4,4%). Excluindo o Consumo do Governo, o PIB teria avançado 1
% no 2º trimestre, vindo de uma expansão de 3% no 1T10.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) avançou 2,4% na margem e, pelo quinto trimestre consecutivo, superou o crescimento do PIB como um todo. A taxa de investimento (FBCF/PIB), a preços constantes de 2009 e em termos dessazonalizados, chegou a 18,8% no 2T10 (estava em 16% no 1T09). Ainda assim, ele não retornou para o nível mais alto da série, de 19,2%, observado no 3T08.
A Demanda Interna (Consumo das Famílias e do Governo, mais FBCF) avançou 1,3% do 1T10 para o 2T10, desacelerando ante o ritmo registrado nos trimestres imediatamente anteriores (+2,1% no 2T09; +3,0% no 3T09; +2,7% no 4T09; e +2,3% no 1T10) e se aproximando do ritmo de crescimento potencial da economia (+1,1/+1,2%).
O acúmulo de estoques contribuiu mais uma vez para impulsionar o crescimento do PIB: excluindo esse componente, o PIB teria avançado +0,8% no 2T10.
A contribuição do setor externo para a variação interanual do PIB foi negativa em 3,3 pontos percentuais no 2º trimestre, a mais negativa já registrada na série histórica atual do PIB (iniciada em 1995). Isso reflete, basicamente, o elevado diferencial entre o crescimento da demanda interna brasileira e o crescimento do PIB mundial.
Sob a ótica da oferta, todos os componentes registraram desaceleração relevante na passagem do 1º para o 2º trimestre. O PIB Indústria – em linha com que já haviam sinalizado os dados de produção industrial – passou de uma alta dessazonalizada de 4% no 1T10 para 1,9% no 2T10 (variação essa que superou a estimativa da LCA, de -0,7%). O PIB Serviços – que responde por quase 2/3 do PIB brasileiro – passou de uma alta de 1,8% para 1,2% nesse ínterim (abaixo de esperado pela LCA).

