Situação pode gerar atitudes mais extremas como desistência da compra ou abandono do carrinho cheio de compras.
A falta de produto na gôndola, conhecida tecnicamente por ruptura, frustra, irrita e gera a sensação de perda de tempo por parte do consumidor. Porém, essas não são as únicas implicações. Diante do vazio na prateleira, 53% dos responsáveis pelas compras (shoppers), em média, optam por outra marca e mais de um terço, ou 37%, procura o item de sua preferência em outra loja.
Dados recentes de um estudo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), em parceria com a Apas (Associação Paulista de Supermercados), mostram ainda que 17% dos clientes adiam a compra e 11% simplesmente desistem dela. Claudio Czapski, superintendente da Associação ECR Brasil (Resposta Eficiente ao Consumidor), diz que alguns consumidores chegam a tomar medidas mais extremas. “Existem outras pesquisas que demonstram que, caso não encontre 20% dos itens procurados, o cliente é capaz de largar o carrinho inteiro para trás, por mais cheio que esteja.”, diz.
O especialista explica que o problema da falta de produtos na gôndola promove perdas de até 40% para o varejo e 35% para a indústria. “Os prejuízos com a ruptura alcançam pelo menos R$ 8 bilhões por ano”, estima. De acordo com o estudo ESPM e Apas, a taxa média de ruptura nos supermercados paulistas é de 8,3%, o que significa que, a cada 100 produtos, mais de oito estão em falta. Para Czapski, no entanto, os números podem variar. “Enquanto alguns produtos ou categorias podem ter rupturas até abaixo de 8%, há muitos itens que chegam a mais de 20% ou 30%."
Para identificar as principais causas e encontrar soluções para a falta de produtos nas gôndolas, a Associação ECR Brasil desenvolve desde setembro do ano passado a “Campanha do Bilhão”, maior empreitada já realizada no Brasil contra a ruptura. A iniciativa já totaliza mais de 4,2 mil inscritos entre varejistas, fabricantes, operadores logísticos e outros segmentos da cadeia de abastecimento.

