Segundo Mario Cesar Pereira de Araújo, operadoras sofrem mais com tributação brasileira do que com inadimplência de clientes.
Na abertura desse último dia de Futurecom 2008, o presidente da Tim, Mario Cesar Pereira de Araújo, palestrou sobre o mercado de telecom móvel no Brasil em 2014, com base em estudos promovidos por sua empresa e a Anatel. Para Araújo, em seis anos, o aparelho móvel será dominante no País. "Para isso, é preciso que haja investimentos sérios do setor. Porém, não há como fazê-lo sem antes aumentar a base de renda das operadoras", explicou. O presidente da TIM exibiu números que demonstram a disparidade entre o que é pago pelas companhias em tributos e o que é arrecadado. "Em 2007, nosso segmento teve lucratividade de R$ 1,4 bilhão. No mesmo período, pagamos 15,5 bilhões de impostos para os cofres públicos", ressalta Araújo, apontando essa como uma das principais barreiras a plena evolução do setor. A inadimplência, segundo ele, não entra nesse quadro, em função de que o consumidor prioriza o pagamento de recursos primordiais como saúde e moradia para só depois pensar em comunicação. "Em um País onde a renda média das famílias é de R$ 1 mil, é compreensível", pontua o executivo.
Araújo também comentou sobre a constante pressão que as operadoras recebem para levar cobertura 3G para áreas mais afastadas. Para ele, "hoje em dia, um sinal de 700 MHz já atende bem as áreas rurais, a 1/3 do preço de uma frequência 2.1 MHz, que é o que nos pedem. O Brasil não é um País rico", completou o presidente da TIM.
Para não fugir do tema mais abordado do evento até aqui, a crise financeira, Araújo disse que faria sua declaração como brasileiro, não como empresário. "A crise deve ser analisada e estudada, mas não pode ser apontada como a única razão para insucesso. Esse momento deve ser visto como uma oportunidade. Temos que usar nossos serviços para dar um salto qualitativo em direção a inclusão social do nosso povo", finalizou.

