Análise Setorial

Propaganda não basta para conquistar clientes

De acordo com o especialista Paulo Giovanni, o marketing está na era do brand experience.


A classe média brasileira tem acessado a internet como nunca. Hoje, no País, 40 milhões de brasileiros acessam a web, sendo que 35% desse total representam a classe C. E esse número de internautas, consequentemente consumidores, não deve parar de crescer.

A exposição é de Paulo Giovanni, fundador da Giovanni+DraftFBC e atual sócio-diretor das agências Mix Brand Experience e Pop Trade. Para o especialista, esse novo cenário leva à pergunta: "com esses novos consumidores, existem fronteiras para o marketing?". A resposta é não. Na palestra ‘As Novas Fronteiras do Marketing’, realizada durante o IV Seminário Marketing 360º, Giovanni concluiu que a publicidade tradicional não funciona mais.

"Hoje, não basta o consumidor ver para crer, ele precisa tocar, sentir, provar. O novo cenário é uma revolução na área de marketing", explica Giovanni. Por isso, o foco das propagandas não deve estar mais no produto, mas sim no consumidor. Os clientes hoje querem informação, produtos que não representem apenas posse, mas que satisfaçam o ego.

"Estamos na era da experiência, do marketing sensorial, do brand experience", resume Giovanni. Isso significa que uma marca precisa pensar na comunicação de forma integrada, já que o consumidor atual é bem informado e reconhece quando a marca não está passando a realidade, a sua essência. "Um exemplo de brand experience foi o evento Quatro Rodas Experience, que deu aos fanáticos por carros a oportunidade de andarem no veículo que sempre desejaram. A marca saiu das páginas da revista e partiu para a experiência", exemplifica Giovanni.

Um outro exemplo é a árvore de natal montada pelo Santander no Parque do Ibirapuera. "Para a instituição, isso significa estar presente em um evento de apelo emocional; a marca oferece experiência sem cobrar nada do cliente. É um ponto de contato entre a instituição financeira e dois milhões de pessoas que visitam o local", declara Giovanni.

O especialista explica que as marcas, para fidelizar, devem ter a consciência de que não adianta ficar preso em um só assunto, tem que transmitir a experiência. Casos que demonstram que a marca não quer apenas retorno do cliente, mas sim oferecer serviço, tem mais chances de fidelizar com sucesso. "Isso resulta em um boca a boca positivo, e a internet tem a capacidade de propagar qualquer informação a milhões. Hoje, é muito mais importante o testemunho de alguém do que um anúncio", afirma Giovanni.

Como exemplo da importância das redes sociais, o profissional cita o caso do YouTube, criado por dois amigos para compartilhar vídeos, e que, 14 meses depois, foi vendido por nada menos que US$ 650 milhões, e recebe diariamente, em média, cerca de 100 milhões de vídeo de todo o mundo. "Existem filmes, como o famoso ‘Tapa na Pantera’, que já foram mais vistos do que as duas maiores bilheterias do Brasil juntas", compara.

Givanni afirma ainda que a nova tecnologia, além de um novo desafio para os profissionais, também deve ser utilizada como aliada. "Na Pop Trade, por exemplo, trabalhamos com Inteligência de Mercado, que dá aos nossos clientes relatórios diários que mostram como está o negócio. Isso possibilita à empresa identificar os erros e acertos, e agir com um direcionamento mais específico", conclui.

 

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