Todos os anos, é “celebrada” na primeira quinta-feira do mês de maio o Dia Mundial da Senha. A data existe desde 2013 e serve para alertar empresas e usuários da importância de utilizar senhas seguras para proteger suas informações no ambiente digital. Um levantamento recente traz as dez senhas mais utilizadas por brasileiros. Pelo sexto ano seguido, “123456” lidera no nosso País. Confira o top 10:

Ismael Rocha, especialista em Inteligência de Ameaças da ISH Tecnologia, destaca que todas as senhas são sequências óbvias do teclado, seja com números ou letras em ordem, como palavras que fazem sentido dentro do contexto (como “Brasil” para brasileiros). “A lógica é simples: se o usuário não precisou de muito esforço para elaborar a senha, o criminoso igualmente não precisará para quebrá-la”, alerta Rocha.
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Globalmente, a situação não é muito melhor. “123456” também lidera o ranking global, assim como outras combinações que aparecem no ranking brasileiro. Além disso, chama a atenção o fato de que 78% das senhas mais comuns do mundo podem ser quebradas por um hacker em menos de um segundo. Isso representa um aumento em relação aos 70% do ano passado.
O volume de contas expostas também cresceu de forma expressiva — quase oito vezes em relação a 2023 — saltando de cerca de 731 milhões para 5,6 bilhões em 2024. Para Rocha, esse crescimento exponencial evidencia a urgência de investir em estratégias mais robustas de cibersegurança.
Um dos episódios mais marcantes do ano passado foi o mega vazamento conhecido como “RockYou2024”, registrado em julho. Considerado um dos maiores da história, o incidente expôs quase 10 bilhões de senhas em fóruns públicos da internet.
Reutilização de senhas e novas diretrizes
O especialista diz que, por mais que existam diversas campanhas de conscientização, a verdade é que muitos brasileiros ainda ignoram o risco que representa uma senha fraca ou de fácil adivinhação. “Na maioria dos casos, ela segue sendo a principal linha de defesa contra uma invasão hacker.”
A ISH também destaca uma prática muito comum, mas perigosa: a reutilização de senhas. Estima-se que cada usuário tenha, em média, 168 senhas pessoais, em plataformas online, sites, aplicativos e para uso no trabalho. Lembrar todas individualmente é quase impossível, o que leva muitos de nós a reutilizar senhas (que podem ser fracas) em vários lugares. Esse comportamento pode transformar um único vazamento em um desastre em cadeia: uma única senha roubada ou adivinhada, caso seja reutilizada, pode dar origem a vazamentos em diversos serviços que a vítima use.
Agência governamental dos Estados Unidos, o NIST (National Institute of Standards and Technology) também tem novos parâmetros para a criação de senhas fortes. Uma das mudanças mais significativas nas recomendações é a atenção dada ao comprimento das senhas e ao uso de frases secretas (passphrases), deixando de lado a complexidade forçada. Antigas exigências de misturar letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos podem, na verdade, dificultar a memorização e levar à criação de senhas mais fracas e previsíveis.
Agora, o NIST enfatiza que o comprimento é fundamental, sugerindo senhas mais longas (idealmente com suporte para frases de até 64 caracteres), o que torna ataques de força bruta consideravelmente mais difíceis. Além disso, recomenda-se dar liberdade de escolha aos usuários, permitindo que criem senhas tão longas quanto desejarem, utilizando os caracteres que quiserem, incluindo espaços, para facilitar a memorização.
Dicas
Por fim, o material da ISH lista outras recomendações para evitar ter problemas com vazamentos de senhas:
- Fugir do óbvio: evitar combinações muito comuns do teclado, ou informações pessoais que possam ser facilmente encontradas em redes sociais, por exemplo;
- Verificação em duas etapas: quando habilitado, esse recurso adiciona uma camada extra de segurança, exigindo um segundo código para acessar a conta – mesmo que a senha principal tenha sido comprometida;
- Gerenciador de senhas: ferramentas específicas ajudam a criar senhas fortes e armazená-las com segurança, evitando que o usuário precise memorizar tudo;
- Links suspeitos: tome cuidado com e-mails e mensagens suspeitas – golpes de phishing ainda são a principal forma usada para roubar senhas.
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