Negócios

Qualcomm suspende projeto de fábrica no Brasil até chegada do 5G ao País

José Palazzi, diretor de Vendas e IoT da Qualcomm (foto: divulgação Qualcomm).

Qualcomm decidiu congelar seu plano de fábrica de semicondutores em Jaguariúna (SP) até que o 5G seja implementado no Brasil. Segundo José Palazzi, diretor de Vendas e IoT da empresa, a companhia vai esperar a publicação do edital de licitação do 5G, previsto para o primeiro semestre do ano que vem, para depois retomar o projeto.

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A planta fabril seria fruto de uma joint venture entre a Qualcomm e a USI, fabricante taiwanesa de chipsets, focada na produção de semicondutores 4G, mas com o rápido desenvolvimento do 5G, a companhia mudou de foco. Palazzi aponta que a demanda por aparelhos 5G deve crescer, enquanto a de 4G cair e, devido ao investimento não ser pouco, há a necessidade de apostar em um produto mais rentável a longo prazo. 

Quando a fábrica foi anunciada, em 2018, a perspectiva é que ela seria inaugurada em 2020 e produzisse um semicondutor de origem nacional, o SiP1, baseado em tecnologia 4G. Agora a Qualcomm aponta que está desenvolvendo um novo produto, similar ao SiP1, nos Estados Unidos para ser produzido futuramente no Brasil.

Palazzi lembra que o SiP1 tem características únicas, como concentrar em um pequeno hardware 450 componentes, e que adaptá-lo para o 5G não é tão simples, já que a quantidade de componentes triplica. No entanto, ele afirma que a indústria brasileira precisa de um semicondutor para se tornar o carro-chefe de seu desenvolvimento tecnológico e um SiP1 4G não seria capaz de entregar a inovação que o 5G permite. 

“O País precisa de um carro-chefe (semicondutor padrão) para ter volume e ser competitivo no desenvolvimento de tecnologia”, afirma. A expectativa de Palazzi é que a fábrica da Qualcomm seja capaz de produzir este produto utilizando o 5G e diminuir a necessidade de importação de tecnologia para o Brasil. 

Isso impediria, em parte, problemas como os que ocorreram no início do ano, quando a paralisação das fábricas na China diminuiu os aportes de semicondutores para o Brasil. Ainda haveria o desafio da importação de matéria-prima que não existe no País, o que poderia ser resolvido com um bom planejamento de produção. 

Desenvolvimento de IoT 

O diretor da Qualcomm também apontou a qualidade dos desenvolvedores brasileiros, que precisam ser arrojados para lidar com os custos altos de importação de soluções e que usam a inovação para se diferenciar da concorrência internacional. A intenção de desenvolver o SiP1 surgiu da intenção de ajudar esse tipo de profissional, entregando um hardware simples, com todas as capacidades necessárias. 

Hoje, a Qualcomm já trabalha com protótipos desenvolvidos com base no SiP1 para entregar a diferentes projetos de Internet das Coisas (IoT). Um exemplo é um pequeno hardware com capacidade de processamento similar a um smartphone desenvolvido para análise de vídeo em tempo real, utilizando o conceito de edge computing, onde parte do processo dos dados é feito no dispositivo. 

“A visão da Qualcomm é facilitar o desenvolvimento para os engenheiros, por isso preparamos uma arquitetura similar a de um smartphone. É o que chamamos de abstração de hardware”, afirma Palazzi, que destaca que essa arquitetura tem que ser adaptada para cada necessidade de um projeto de IoT. 

O executivo ainda aponta que o 5G será o ponto de virada da IoT, pois a baixa latência e a alta velocidade vai permitir que dispositivos sejam mais eficientes e os dispositivos IoT mais inteligentes, podendo até tomar decisões. 

 

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