Economia Digital

Ranking revela presença limitada do setor de tecnologia entre empresas com melhor reputação no País

O ranking Merco Empresas de Reputação Corporativa 2025 reforçou o protagonismo de companhias ligadas ao consumo, varejo e indústria tradicional no Brasil, ao mesmo tempo em que evidenciou a presença ainda restrita do setor de tecnologia entre as marcas mais admiradas do país. Entre as dez primeiras colocadas, apenas duas empresas diretamente associadas à economia digital – Mercado Livre e Vivo – figuram na lista, que segue liderada pela Natura.

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A empresa de cosméticos alcançou a pontuação máxima, consolidando sua posição como referência em reputação corporativa. Logo atrás aparecem Mercado Livre e Ambev, seguidas por Grupo Boticário, Itaú Unibanco, Nestlé, Coca-Cola, Magazine Luiza, Toyota e Vivo, que fecha o ranking após avançar nove posições em relação ao ano anterior.

O levantamento avalia 100 companhias com base na percepção de diferentes públicos, incluindo executivos, analistas financeiros, acadêmicos, jornalistas, sindicatos, ONGs, consumidores e colaboradores. Ao todo, são consideradas 26 fontes de informação e mais de 17 mil participantes, que analisam aspectos como ética, governança, inovação, desempenho financeiro, qualidade dos serviços, sustentabilidade e comunicação corporativa.

A presença da Vivo marca um movimento relevante para o setor de telecomunicações, que passa a figurar pela primeira vez entre as dez empresas com melhor reputação no país. Nos últimos cinco anos, a operadora acumulou crescimento de 32 posições no ranking e mantém a liderança em seu segmento desde 2016.

Segundo a vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da companhia, Marina Daineze, o avanço reflete uma estratégia alinhada à geração de valor para diferentes públicos. A executiva atribui o resultado à combinação entre investimentos em digitalização, fortalecimento da experiência do cliente e iniciativas ligadas à sustentabilidade e impacto social.

Apesar desse avanço, a presença limitada de empresas ligadas à tecnologia no ranking chama atenção em um momento de transformação digital acelerada em diversos setores da economia. Analistas apontam que, embora o segmento concentre inovação e crescimento econômico, fatores estruturais influenciam a percepção de reputação corporativa no Brasil.

Um dos principais aspectos está relacionado à proximidade das marcas com o consumidor final. Empresas de bens de consumo e varejo mantêm relacionamento direto e cotidiano com a população, o que facilita a construção de vínculos emocionais e percepção de impacto social positivo. Marcas como Natura, Boticário, Ambev e Coca-Cola, por exemplo, historicamente investem em posicionamento institucional, sustentabilidade e campanhas de comunicação voltadas à sociedade, fortalecendo atributos reputacionais ao longo do tempo.

Outro fator relevante é o perfil das empresas de tecnologia que operam no país. Grande parte das companhias do setor atua de forma mais voltada ao mercado corporativo ou à infraestrutura digital, o que reduz a exposição direta ao consumidor e, consequentemente, limita a percepção pública de suas iniciativas estratégicas. Mesmo entre empresas com forte presença junto ao público final, como plataformas digitais, a reputação pode ser impactada por debates envolvendo privacidade de dados, regulação, impacto social da tecnologia e desafios relacionados ao ambiente digital.

No caso do Mercado Livre, o bom desempenho no ranking está associado à consolidação da companhia como um dos principais ecossistemas digitais da América Latina, combinando comércio eletrônico, serviços financeiros e logística própria, além de investimentos em inclusão digital e empreendedorismo. Já a presença da Vivo reflete uma mudança no papel das operadoras de telecomunicações, que passaram a ser percebidas como agentes centrais da transformação digital e da conectividade nacional.

Especialistas também apontam que o setor de tecnologia enfrenta o desafio de traduzir inovação técnica em valor percebido socialmente. Embora desempenhem papel fundamental na digitalização da economia, muitas empresas ainda buscam fortalecer a comunicação de suas iniciativas ligadas à sustentabilidade, governança e impacto social – pilares que têm peso crescente nas avaliações de reputação corporativa.

O resultado do ranking Merco sugere que, à medida que a transformação digital se consolida e o debate sobre responsabilidade tecnológica ganha espaço, companhias do setor tendem a ampliar sua presença entre as marcas mais admiradas. No entanto, para avançar nesse cenário, o desafio vai além da inovação tecnológica e passa pela construção de narrativas institucionais que conectem crescimento econômico, confiança e impacto social percebido pela sociedade.

Posição Empresa Pontuação Previous
1 NATURA 10000
2 MERCADO LIVRE 7902
3 AMBEV 7599
4 GRUPO BOTICÁRIO 7535
5 ITAÚ UNIBANCO 7251
6 NESTLÉ 6632 7
7 COCA-COLA 6558 13
8 MAGAZINE LUIZA 6521 9
9 TOYOTA 6492 8
10 VIVO 6468 19
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