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Reforma, NFCom e o fim do improviso: uma oportunidade de amadurecimento para o setor de telecomunicações

*Por Carlina Schmid

A cultura do improviso está profundamente enraizada na sociedade brasileira – da época da escola, em que estudamos na véspera, ao mundo corporativo, onde ajustes e adequações muitas vezes ficam para a última hora. Essa prática recorrente, no entanto, está prestes a se tornar insustentável diante do novo ciclo de obrigações fiscais e regulatórias que já começou a se impor ao setor de telecomunicações.

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A chegada da NFCom, prevista para novembro, e os desdobramentos da reforma tributária exigem mais do que adequações técnicas. Trata-se de uma mudança de mentalidade. Um chamado para que as empresas deixem para trás o “jeitinho” e assumam, de forma estratégica, um novo posicionamento de governança, profissionalismo e previsibilidade.

O impacto será sentido por toda a cadeia: operadoras de grande porte, prestadoras de serviços corporativos, atacadistas e, sobretudo, as prestadoras de pequeno porte (PPPs), que hoje respondem por mais da metade dos acessos de banda larga no Brasil. Independentemente do modelo de negócio, o desafio é o mesmo: organizar internamente seus processos, dados e cadastros para garantir a continuidade da operação dentro das novas regras fiscais.

Muitos dos erros que hoje travam a emissão de notas fiscais – como campos preenchidos incorretamente, inconsistências no XML, ausência de padronização entre sistemas – estão diretamente ligados a uma negligência histórica com a base de dados. Durante anos, provedores cresceram de forma orgânica e fragmentada, muitas vezes sem padronização, sem integração entre sistemas, sem compliance.

Agora, com a estrutura da NFCom exigindo precisão, consistência e rastreabilidade em tempo real, o setor não terá mais espaço para falhas. E mais: erros fiscais impactam diretamente o fluxo de caixa. Quem não emite nota, não fatura. E, em um país com juros altos e margens pressionadas, isso pode significar a diferença entre seguir competitivo ou fechar as portas.

Ao mesmo tempo, essa pressão pode – e deve – ser vista como uma oportunidade. A exigência de compliance pode funcionar como catalisador para a profissionalização dos provedores e operadoras. É o momento ideal para revisar processos, investir em sistemas de ERP, capacitar equipes e integrar departamentos como jurídico, TI, compras e faturamento em uma lógica mais eficiente e colaborativa.

Empresas que conseguirem atravessar essa transformação com solidez e estrutura terão mais chances de atrair investidores, participar de processos de consolidação e crescer de forma sustentável. Afinal, o mercado de telecomunicações está cada vez mais sob o olhar de fundos e grupos consolidados — e, para estar nesse jogo, é preciso ter governança.

O novo ciclo tributário que se anuncia no Brasil – com a migração para CBS e IBS – trará ainda mais complexidade, mas também mais previsibilidade. A criação de comitês reguladores, a necessidade de uniformização entre estados e municípios e a redefinição da tomada de crédito exigirão das empresas um esforço coordenado e transparente. Não será possível navegar nesse ambiente com múltiplos CNPJs dentro do mesmo grupo para manter-se artificialmente no Simples Nacional, por exemplo. O contrato social muda, e o setor precisa acompanhar.

O que está em jogo, no fundo, é a maturidade do mercado brasileiro. A NFCom e a reforma tributária não são ameaças. São marcos que podem — se bem compreendidos e aproveitados – transformar positivamente a forma como nossas empresas operam, faturam e entregam valor.

Não é mais tempo para improvisar. É tempo de planejar, agir e liderar. *Carlina Schmid é CEO da Cleartech.

Este artigo é de total responsabilidade da autora, não representando, necessariamente, a opinião do Portal IPNews.

 

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