Estudo foi desenvolvido para analisar a situação de software e serviços de TI na indústria brasileira. Apesar da falta de profissionais no futuro, mercado nesse segmento manterá bons índices de crescimento.
A Softex, por meio do Observatório Softex, unidade de estudos e pesquisas da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (www.softex.br), lançou em Brasília, o primeiro volume da publicação “Software e Serviços de TI: A Indústria Brasileira em Perspectiva”. O trabalho aborda o setor de software e serviços de TI no Brasil.
O documento é composto por seis partes: a indústria brasileira de software e serviços de TI (IBSS); software e serviços de TI como atividade secundária nas empresas (NIBSS); capacitação e competências para o setor de software e serviços de TI; cenários e projeções; adoção e uso das tecnologias da informação e comunicação (TICs); e marco institucional para o setor de software e serviços de TI. São 15 capítulos com números e análises que traçam uma radiografia do setor.
A primeira parte da publicação é dedicada à indústria brasileira de software e serviços de TI (IBSS). Ela aborda indicadores gerais, como número de empresas, distribuição geográfica, receita, custos e despesas operacionais, além de atividades com inovação.
O ponto de partida para a coleta e a organização das informações foi a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), parceiro da Softex na busca de dados. O período de 2003 a 2006 foi o utilizado pela equipe de pesquisadores por tratar-se dos números mais recentes disponíveis no período de realização do estudo, complementados com extrapolações para os últimos anos seguindo as tendências observadas.
O estudo aponta para um crescimento constante da IBSS, especialmente da sua força de trabalho. No período 2003 a 2006, o número de pessoas ocupadas na IBSS, incluindo proprietários com atividade na empresa, assalariados e sócios cooperados, cresceu a uma taxa média anual de 12,6%. Segundo o Observatório Softex, em 2009 o mesmo setor contará com 540 mil pessoas ocupadas. E entre os ocupados, o conjunto que mais cresce é o de assalariados.
Ainda no que se refere à força de trabalho, o Observatório ratificou o que o nível de educação formal dos profissionais de TI é elevado. Entre as empresas filiadas ao Sistema Softex e a entidades parceiras, quase 75% deles – incluindo assalariados, terceirizados ou sócios que desempenham atividades diretamente relacionadas com software e serviços de TI – possuem nível superior (57,1%) ou pós-graduação (16,7%).
No entanto, o setor está tendo dificuldades para contratar, há vagas em aberto. Das empresas entrevistadas, 48,2% definiram como “ruim” e outras 48,2% como “razoável” a formação do profissional de TI disponível no mercado. Apenas 3,6% consideraram essa capacitação “ótima” e afirmam não ter dificuldades para o recrutamento.
Diante disso, o Observatório conclui que a falta de profissionais de TI irá se acentuar no decorrer dos anos. “Levando em conta o Cenário Esperado, ou seja, aquele mais próximo ao que se acredita que ocorrerá, em 2013, haverá uma carência de cerca de 140 mil PROFSSs”, diz Virgínia Duarte, coordenadora das atividades do Observatório Softex.
Também houve comparações nos indicadores de adoção e uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) de 24 países selecionados, incluindo o Brasil, para o período 1998 a 2006. O estudo comparativo reflete a brecha digital, mostrando a forte relação entre os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país e a sua capacidade de criar infraestrutura, usar e adotar as TICs.
Em destaque no levantamento é o mapeamento dos profissionais com emprego formal, em ocupações diretamente relacionadas com software e serviços de TI. “Surpreendeu-nos a descoberta de que o número de PROFSSs na NIBSS é quatro vezes superior ao verificado na IBSS, revelando a importância das atividades em software e serviços de TI realizadas nos diferentes setores econômicos”, avalia Virgínia Duarte.

