O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta segunda-feira (13/10) o estudo Evolução, Impacto e Potencial dos Parques Tecnológicos do Brasil. Os dados mostram que o Pais conta com 113 parques tecnológicos, dos quais 64 estão em operação, 42 em implementação e sete em planejamento. As iniciativas já abrigam 2.706 empresas e organizações.
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A publicação, feita em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, analisa dados da plataforma MCTI-InovaData.br e apresenta uma visão atualizada sobre o impacto e o potencial desses espaços. O lançamento foi feito durante a abertura da 35ª Conferência da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), realizada em Foz do Iguaçu (PR).
A presidente da Anprotec e coordenadora da pesquisa, Adriana Ferreira de Faria, apresentou dados sobre o crescimento dos parques tecnológicos no Brasil. De 2017 a 2023, as empresas vinculadas aos parques em operação registram aumento de faturamento, número de patentes e funcionários. Nesse período, mais de 14 mil empreendimentos ou projetos tiveram apoio, demonstrando o funcionamento do funil de inovação que seleciona e desenvolve as iniciativas de maior potencial.
Confira abaixo os destaques do estudo:
Processo de disseminação
O relatório mostra que o fenômeno dos parques tecnológicos no Brasil cresceu de forma contínua desde as primeiras experiências nas décadas finais do século XX, passando por quatro “gerações” conceituais: pioneiros, seguidores, estruturantes e redes globais. O modelo foi alimentado por políticas públicas e editais, principalmente mais recentemente com as chamadas da FINEP.
O estudo ressalta a importância do edital de 2024 da Finep, com recursos do FNDCT, que destinou R$ 100 milhões para estados sem parques tecnológicos com o objetivo de diminuir as assimetrias regionais, e o investimento total de R$ 670 milhões no setor nos últimos anos. O relatório ainda enfatiza que a difusão depende fortemente de condições de contorno locais (base científica, capital humano, governança e financiamento) e que a simples criação física não garante impacto sem integração ao ecossistema regional.
Distribuição regional
Os parques tecnológicos já estão em todas as regiões do País, mas há forte concentração de empresas. Em 2025, boa parte das empresas e empregos vinculados está concentrada em poucos estados — oito estados concentram 93% das empresas/organizações residentes (liderados por São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná) — 11 estados não tinham parques em operação (Acre, Amapá, Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rondônia e Tocantins) e três não têm nenhuma iniciativa do tipo (Acre, Mato Grosso do Sul e Rondônia).
O relatório aponta que o perfil dos sistemas regionais de inovação, como a presença de universidades e institutos de P&D, é determinante para a viabilidade e sucesso do parque. O documento sugere que incubadoras podem ser estratégias iniciais em regiões menos desenvolvidas para alterar essa discrepância.
Áreas de atuação
Ao longo de 1990–2025 o portfólio setorial dos parques evoluiu e diversificou. As empresas presentes nos parques tecnológicos pertencem aos setores de tecnologia da informação (50%), economia criativa (10%), saúde humana (9%), suporte à CT&I (8%), biotecnologia (8%) e agronegócio (8%).
Processo de seleção, acompanhamento e desligamento
Os parques brasileiros, em sua imensa maioria, adotam processos seletivos formais para residentes: em 2023, 98% dos parques em operação declararam realizar seleção. Os critérios mais usados (e mais valorizados em 2023) incluem aderência aos objetivos do parque (93%), base tecnológica (86%), grau de inovação (81%), alinhamento com a vocação regional (67%) e qualidade da equipe e plano de negócios.
As taxas de seleção variam conforme o programa: pré-incubação e incubação apresentam taxas intermediárias (ex.: ~48% e ~37%), aceleração é muito seletiva (~15%) e coworking varia conforme estratégia.
O acompanhamento é tratado como elemento central e os parques mantêm monitoramento contínuo de indicadores de inovação, crescimento e sustentabilidade financeira das empresas para orientar apoio e decisões. Já o desligamento é visto como parte natural do ciclo; as principais razões registradas para saída são mudança de local (relocação estratégica), fechamento/falência e dificuldades financeiras/gestão, e o relatório recomenda critérios claros e uso consistente de indicadores para liberar espaço e renovar o ecossistema.
Portfólio de serviços oferecidos
O estudo descreve um portfólio amplo e em evolução: além da infraestrutura física (laboratórios, espaços corporativos, coworking), os parques oferecem incubação, aceleração, mentorias, qualificações/formação, apoio à captação de recursos, serviços de prospecção de mercado, transferência tecnológica, apoio à internacionalização, e serviços administrativos e de compliance.
Há evidência de que parques amadurecidos ampliam serviços para empresas maduras (residência/associadas) — como suporte à internacionalização e espaços corporativos avançados — enquanto parques em fases iniciais tendem a focar incubação e formação. O relatório também ressalta que a oferta de serviços precisa ser alinhada à vocação regional e às necessidades reais das empresas para gerar efeito sobre inovação.
Processo de inovação das empresas vinculadas
O relatório é cauteloso ao afirmar que a mera localização em parque não garante, por si só, melhor desempenho inovador. A literatura e os dados compilados mostram resultados mistos: impactos positivos são mais prováveis quando há forte interação universidade-empresa, governança profissional do parque e programas ativos de P&D; porém os efeitos variam por maturidade do parque, porte e intensidade tecnológica das empresas.
Em linhas gerais, parques tendem a ampliar projetos de P&D, colaboração e às vezes atividade de patenteamento, mas essas melhorias dependem de suporte contínuo, redes e políticas de governança e financiamento. O documento conclui que parques funcionam como catalisadores (infraestrutura, redes, spillovers) principalmente quando integrados a um SNCTI ativo.
Potencial dos parques tecnológicos do Brasil
Na avaliação de potencial, o relatório destaca que os parques brasileiros são, em grande parte, jovens e com ampla margem de crescimento; sua maturidade aumenta eficiência em P&D, proporção de spin-offs, atividades de inovação e vendas. O País tem ativos como produção científica, universidades, programas de pós-graduação que podem ser alavancados, mas enfrenta obstáculos — gap ciência-mercado, baixa taxa de transferência tecnológica e assimetrias regionais.
O estudo recomenda fortalecer governança profissional, monitoramento contínuo através da Plataforma MCTI-InovaData-Br, alinhamento estratégico com vocações regionais, políticas de seleção e desligamento bem definidas, e instrumentos de financiamento e fomento para converter potencial científico em deep techs e empresas escaláveis.
A expectativa é de que, com políticas e ações integradas, os parques podem ser vetores decisivos para a Nova Indústria Brasil e para a descentralização da inovação.
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