A F5 apresenta os resultados da pesquisa “LATAM Security Threats 2020”, levantamento realizado pelo F5 Labs – divisão que identifica ameaças a partir de incidentes de segurança -, segundo o qual Rússia, China, EUA e Brasil são os países que mais atacam a América Latina. Chile e Argentina também aparecem no estudo, assim como Alemanha, Ucrânia, Polônia e Taiwan, que são outras fontes de ataques contra a região.
Os experts do F5 Labs não afirmam que os ataques são gerados nestes países, mas que os endereços IP da infraestrutura digital destes países estão sendo utilizados por criminosos digitais para servir de Bots de onde são disparados ataques contra a América Latina. Não é possível indicar o país onde está localizada a pessoa que controla os bots.
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A acelerada digitalização da região ao longo de 2020 intensificou esse quadro. “Ambientes digitais foram se expandindo sem, no entanto, serem acompanhados das corretas políticas de segurança – isso faz da América Latina e do Brasil universos cada vez mais digitalizados, mas com pouca maturidade em segurança”. Com isso, a superfície de ataque da região aumentou muito em 2020.
Trabalho remoto ampliou a vulnerabilidade do mundo digital brasileiro
Uma das funções das Bots hackers é realizar de forma massiva o scanning de vários tipos de portas de comunicação – a meta é encontrar uma porta que apresente vulnerabilidades. Uma vez identificada, a vulnerabilidade será explorada pelos criminosos digitais, que buscam penetrar em sistemas corporativos e governamentais.
Entre as 20 portas mais visadas pelas gangues digitais estão portas dedicadas ao acesso remoto de usuários. Segundo a empresa, com o crescimento do teletrabalho na América Latina e no Brasil, essas portas tornaram-se mais críticas do que nunca, sendo responsáveis por criar acessos de usuários remotos a grandes aplicações de negócios. O F5 Labs aponta a forte incidência de invasões na América Latina realizadas por portas Telnet e por portas MS RDP, que abrem acesso ao trabalho remoto e a dispositivos na rede interna.
Outra descoberta realizada pelos experts do F5 Labs é o quanto as operadoras de Telecom dos países de onde saem os ataques estão comprometidas. A empresa mapeou os IPs associados aos links de comunicação usados pelos criminosos digitais para configurar suas Bots e disparar ataques – tudo passa por operadoras de Telecom localizadas nos países atacantes. Cinco operadoras russas e quatro chinesas fazem parte desse quadro.
Criminosos possuem 3 bilhões de credenciais pessoais em seu poder
Se esses dados apontam as vulnerabilidades da infraestrutura digital da América Latina e do Brasil, é importante refletir, também, sobre os ganhos que os criminosos digitais têm conquistado em relação a dados.
Trata-se de um quadro crítico diante do fato de que boa parte do acesso às aplicações dependem de senhas muitas vezes repetidas e já expostas na rede. Dias explica que a soma das vulnerabilidades das portas de acesso a essa enorme base de dados habilita as gangues digitais a, de forma automatizada e com recursos de inteligência artificial, identificar a senha do usuário e, a partir daí, invadir aplicações e realizar operações ilícitas.
A pesquisa mostra que o ransomware cresceu 220% em 2020 em comparação com 2019 – as verticais mais atacadas foram governo, educação e saúde. Há uma estreita relação entre ransomware e phishing, que também avançou em 2020. As gangues digitais constroem armadilhas de grande impacto emocional: em 2020, o grande tema foi a COVID-19 e, agora, avançamos para a fase do phishing baseado em notícias sobre a vacina contra essa doença.
Gangues digitais inovam e evoluem de forma contínua
Todo esse contexto mostra que, enquanto as gangues digitais inovam e evoluem continuamente, pessoas, empresas e países seguem reagindo com atraso à importância de se adicionar, desde o início, segurança em todos os processos.
Outro diferencial competitivo dos criminosos digitais é o alto grau de compartilhamento de informações entre eles. “86% das Bots são configuradas a partir de códigos compartilhados entre gangues”.
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