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Santander vai permitir transferências internacionais em dólar e euro por blockchain

Executivos do banco explicaram como funcionam as transações, que já eram feitas em libras.

Geraldo Rodrigues Neto, superintendente executivo de Pessoa Física do Santander, anunciou hoje (13/6), durante painel no CIAB FEBRABAN 2018, que o banco pretende expandir sua iniciativa de transferências bancárias internacionais por blockchain para o dólar norte-americano e o euro. Transações do tipo já podem ser feitas para em libras por clientes brasileiros do serviço Select.

A transferência é feita pelo aplicativo do banco através de uma solução chamada OnePay FX, que agora carrega a marca das transações feitas pelo Santander. Neto afirma que o Santander é a primeira instituição bancária a fazer transferência internacional por blockchain.

Regulamentar blockchain pode limitar a tecnologia, defende especialista

Para que isso fosse possível, o banco definiu uma arquitetura que impedisse o mau uso da solução, como lavagem de dinheiro, por exemplo, e permitisse a integração com outros bancos. A Ripple, parceira do Santander no projeto, forneceu a rede privada de blockchain, opção devido a criticidade do tempo por se tratar de uma moeda real e não uma criptomoeda.

Flavia Davoli, superintendente executiva de GCB Corporate do Santander, explica que a Ripple também é a responsável pela transferência do valor, enquanto a Rose, inteligência artificial do Santander, valida os dados, verifica as restrições internacionais, rastreia a transação e notifica os clientes.

Através desse ecossistema, Flavia diz ser possível garantir a transferência em até duas horas, sem o pagamento de taxas extras, o que normalmente ocorre em transações do tipo. Como a Ripple tem conexão com todos os bancos, a operação ocorre sem a necessidade de intermediários, diminuindo os custos e o tempo. “No momento de confirmar a transferência, o cliente tem noção do exato valor que ele está transferindo e o quanto está pagando pela operação”, diz. “O dinheiro cai na outra conta em menos de um minuto, na maioria dos casos.”

Ainda de acordo com Flavia, o banco ainda enfrentou o desafio da regulamentação do setor financeiro para lançar o One Pay FX. Para tanto, ela diz que é necessário ter um controle do banco sobre a operação e foi preciso limitar o valor de transferência para R$ 3 mil por dia.

Mesmo assim, o Santander pretende expandir a funcionalidade para os demais clientes e trabalham em uma forma de empresas também poderem utilizar a plataforma para transferências internacionais. “Ainda estudamos outras formas de usar o blockchain, inclusive nas áreas de identidade digital, pagamentos e ativos digitais. Este ano, ainda vamos lançar um outro produto de trade finance”, encerra.

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