Cidade de São Bernardo do Campo instalou câmeras com análise inteligente de vídeo e indicação de cenas suspeitas.
Reduzir a criminalidade de um município com o auxílio da tecnologia. Esse leme foi seguido na cidade de São Bernardo do Campo, região da Grande São Paulo, com a inauguração em março, da Central Integrada de Monitoramento sobre um infraestrutura IP. O projeto consiste em vigiar toda a rede escolar da cidade, em tempo real.
O equipamento instalado nos locais determinados possibilita um monitoramento de 24 horas por dia das principais escolas da cidade e arredores. Em outras palavras, a proposta da implementação é facilitar a ação das polícias civil e militar.
Todo o projeto foi desenvolvido por meio de um convênio com o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), do Ministério da Justiça. Até o momento, o montante gasto para a implementação foi de R$ 804 mil, vindos do governo federal e mais 2% do valor desembolsados pela prefeitura.
Para o secretário de segurança urbana da cidade de São Bernardo do Campo, Benedito Mariano, o projeto foi baseado no existente em Campinas (SP). “Campinas tem mais de 400 câmeras de monitoramento e lá, entre 45% e 50%, da criminalidade consegue ser evitada com o monitoramento. Colocamos essa meta para nós também, assim que as três fases da implementação estiverem concluídas”, revela.
Segundo Mariano, com menos de um mês de funcionamento já foi possível antecipar algumas ações criminosas. “Conseguimos interceptar três tentativas de furto pegas em flagrante e uma autuação de tráfego”.
O secretário defende que no término das três fases do projeto, o qual 240 câmeras serão instaladas até o primeiro trimestre de 2011, proporcionará uma cobertura de toda a rede de ensino municipal, oferecendo mais segurança à população. “Serão 20 câmeras na segunda fase e na terceira mais 180”, comenta.
Mariano antecipa que o projeto pode, futuramente, expandir para outros setores do município, conforme a demanda. “Um exemplo é o setor de saúde, que sabemos ter problemas de segurança à noite”.
Além disso, de acordo com o secretário, o governo federal tem um projeto chamado de Infovias, que prevê a instalação das redes de fibra óptica em toda a cidade, até outubro deste ano. “Com isso, poderemos interligar as secretarias e compartilhar informações, inclusive imagens”. O secretário acredita que futuramente possa incluído também um projeto que interligue as secretarias via telefonia sobre IP (VoIP).
Estrutura
Na primeira fase foram instaladas dez câmeras de vigilância sobre IP, que transmitem as informações até a central de monitoramento por cabos de fibra óptica categoria seis, Cat6, da Metrocable.
Segundo Marcio Medeiros, diretor da Fraga de Medeiros, empresa responsável pela implementação dos dispositivos de monitoração e da rede IP, as câmeras digitais possuem uma solução de análise inteligente de vídeo, que enviam um alarme ao operador da central logo que ele detecta algum movimento não cadastrado no banco de dados. “Essas imagens podem ser arquivadas na secretaria de segurança, sendo salvas em outros formatos de mídia, em CD, por exemplo, caso necessite de analises posteriores”, diz.
Medeiros acrescenta que foram usados conversores de ethernet, com taxa de transmissão na porta de 10/100 Mbps. A integradora também afirma que usou switches Datacom e CMA Telecom.
Na central da polícia, dez pessoas fazem o monitoramento visual das imagens. No estabelecimento também funciona o call center da Guarda Civil, com seis funcionários, e que se comunicam via rádio com as viaturas na rua, para aumentar a ação preventiva da Polícia.
Atualmente, a rede de vigilância está em processo de interligação com a central de trânsito da cidade, com a finalidade de possibilitar aos agentes receberem imagens das 24 câmeras de trânsito. Além disso, haverá a integração com a Defesa Civil e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), prometida até o fim de abril.
Planos futuros
Conforme antecipa a Secretaria de Segurança Urbana, no futuro, as imagens serão disponibilizadas para as polícias Civil e Militar da cidade. “A ideia é descentralizar a guarda, para que ela tenha todas as informações e consiga agir em qualquer ponto da cidade”, informa Mariano. Ele também comentou sobre a possibilidade de instalação da tecnologia GPS nos carros da polícia.
Segundo o órgão público, o programa completo de videomonitoramento receberá ainda cerca de R$ 7 milhões da Prefeitura e R$ 1,6 milhão do Governo Federal para a concretização de toda a implementação de vigilância sobre IP.

